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Crítica: Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Crítica: Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Cinema é basicamente um meio de contar uma história, na verdade é uma tentativa de se contar uma boa história. Muitas dessas boas histórias são biográficas, baseadas em eventos e/ou pessoas reais e são uma chance de conhecermos sobre pessoas que realmente existem ou existiram. No caso de Song Sung Blue: Um Sonho a Dois, do diretor Craig Brewer (Um Príncipe Em Nova York 2, 2021), a chance é de conhecer sobre a vida de quem dificilmente se ouviria falar aqui no Brasil e até mesmo nos Estados Unidos hoje em dia, se for fora de Milwaukee. E por que iríamos querer assistir uma história dessas? Simplesmente por ser uma boa história de se ver.

Independente dos descontentamentos de alguns dos familiares com o jeito que o filme foi feito, Song Sung Blue: Um Sonho a Dois passa uma aura filme familiar, com uma história bem acolhedora da busca de um sonho. Seja com Hugh Jackman (Deadpool & Wolverine, 2024) interpretando Mike Sardina/Thunder, mais uma vez soltando a voz, assim como fez em O Rei do Show (Michael Gracey, 2017) usando e abusando com trejeitos, interpretando um homem que era um cover do icônico cantor Neil Diamond, que empresta o nome de uma de suas músicas para o título do filme.

Com um pouco de canastrice que acaba sendo um bom suporte ao personagem que tenta viver interpretando outra pessoa nos palcos, fica interessante ver um certo contraste com as partes do longa onde ele é mais Mike Sardina do que Thunder. Partes que de maneira surpreendente não são poucas e dão a oportunidade a Hugh de mostrar facetas que não consegue em outras produções e se você é fã do ator, vai gostar de assistir a isso. Em contra peso, temos Kate Hudson (Glass Onion: Um Mistério Knives Out, 2022) que entrega uma atuação séria quando se pede, mas deixa escapar um charme de Como Perder Um Homem Em Dez Dias (Donald Petrie, 2003) de vez em quando. Deveras, boa parte dos maiores momentos de carga dramática do filme começam com ela para serem complementados com Jackman.

Por vezes essa dinâmica fica também a cargo de Rachel Cartwright (Ella Anderson, Henry Danger), no estilo de jovem que parece mais adulta do que os pais. Mesmo sendo baseado em vidas reais e mesmo que o espectador não conheça a história real, o padrão de narrativa não foge muito do usual. O cinéfilo menos atento consegue pressentir a mudança dos atos, simplesmente pela altura dos acontecimentos. Aquele já conhecido “se está dando tudo certo, algo terrível irá acontecer”. Porém, essa quase previsibilidade não chega a comprometer muito, pois não é difícil simpatizar com os personagens e não digo isso só do núcleo principal, mas também do elenco de apoio, que trazem Mark Shurilla (Michael Imperioli, série Família Soprano), Dave Watson (Fisher Stevens, dos oitentistas Um Robô Em Curto Circuito 1 e 2), Tom D Amato (Jim Belushi, do clássico da Sessão da Tarde, K-9: Um Policial Bom Pra Cachorro, 1989) e uma menção especial para Sex Machine (O Amor Dói, 2025) que faz um trabalho bem legal encarnando um cover do James Brown.

Outro ponto interessante, que geralmente é algo comum a filmes que se passam em outra época, são os figurinos, maquiagem e penteados, que nessa produção ainda são elevados por se tratarem de artistas, mesmo que as roupas do dia a dia sejam bem sóbrias, tudo que eles usam nos palcos é gritante e chamativo, com cenas com vento para fazerem esvoaçar roupas e cabelos, tornando visível que essa parte divertiu a produção.

Com boas doses dramáticas e uma quantidade sóbria de números musicais que não tornam a produção enfadonha para quem não é muito entusiasta do gênero, Song Sung Blue: Um Sonho a Dois, cativa e cumpre o papel de contar uma boa história, independente do quanto esteja fiel ou não a realidade.

8
Muito bom
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“Com boas doses dramáticas e uma quantidade sóbria de números musicais que não tornam a produção enfadonha para quem não é muito entusiasta do gênero, Song Sung Blue: Um Sonho a Dois, cativa e cumpre o papel de contar uma boa história, independente do quanto esteja fiel ou não a realidade.”
Leonardo Valério
 Crítica: Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Song Sung Blue: Um Sonho a Dois (2026)

Duração 2h13m Direção Craig Brewer Roteiro Craig Brewer Elenco Hugh Jackman, Kate Hudson, Ella Anderson Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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