“Kraken – Terror no Mar” (2025) é uma obra que demora demais para encontrar seu ritmo e mergulhar de fato em sua própria narrativa. Com uma duração excessiva para uma trama tão pouco desenvolvida, o longa acaba se tornando cansativo e repetitivo. A falta de força no roteiro e de acontecimentos realmente envolventes faz com que a experiência se arraste, resultando em um filme pouco empolgante e narrativamente frágil.
O longa acompanha Viktor Voronin (Aleksander Petrov), um marinheiro que parte em busca de seu irmão, Aleksander Voronin (Viktor Dobronravov), desaparecido após um misterioso acidente envolvendo um submarino. Ao lado de sua tripulação, Viktor inicia uma missão de resgate em alto-mar, determinado a encontrá-lo. No entanto, durante a expedição, o grupo se depara com uma ameaça inesperada: uma terrível criatura submarina que transforma a operação de salvamento em uma luta pela sobrevivência.
A direção de Nikolay Lebedev oscila entre o mediano e o negativo. O cineasta demonstra certa insegurança na maneira como conduz a narrativa, ainda que arrisque em alguns enquadramentos e movimentos de câmera interessantes, que funcionam pontualmente e conseguem chamar a atenção. No entanto, esses acertos isolados não são suficientes para sustentar o longa. Lebedev deixa a desejar principalmente na construção e condução da história, falhando em desenvolver um universo verdadeiramente envolvente e em criar uma atmosfera capaz de prender o espectador. A montagem é outro ponto de altos e baixos, algumas vezes acaba tendo muitos cortes precipitados que atrapalham o caminhar da história. Como resultado, a direção se mostra pouco marcante e incapaz de extrair todo o pouco potencial da proposta.
Os personagens são pouco aprofundados e não conseguem elevar o nível da obra. Falta a eles uma carga dramática mais consistente, capaz de gerar identificação ou interesse por parte do espectador. São figuras rasas, com conflitos pouco desenvolvidos e relações que raramente ganham o peso necessário dentro da narrativa. Como consequência, mesmo nos momentos que deveriam carregar maior impacto emocional, o filme encontra dificuldade para criar tensão ou envolvimento.
Um dos pontos mais positivos da obra está na construção do monstro. Mesmo aparecendo pouco e quase nunca ser mostrado por completo, a criatura é bem trabalhada visualmente, com um nível de detalhamento que ajuda a transmitir uma sensação de realidade e ameaça. Ainda que algumas cenas em CGI revelem certa artificialidade, o resultado funciona na maior parte do tempo, especialmente nos momentos de tensão. A presença da criatura também contribui para a construção do ambiente marinho, tornando algumas sequências mais imersivas e fortalecendo a atmosfera de perigo que o filme busca criar.
Em síntese, “Kraken – Terror no Mar” é uma obra rasa, com pouca profundidade dramática e uma duração excessiva que compromete diretamente o ritmo da narrativa. O longa demora a engrenar e encontra dificuldades para manter o espectador verdadeiramente envolvido ao longo de sua história. Apesar de apresentar alguns acertos, especialmente na fotografia, na composição visual e na construção da criatura, esses elementos não são suficientes para compensar as fragilidades do roteiro, dos personagens e da própria condução narrativa.
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