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Crítica: A Mensageira

Crítica: A Mensageira

Imagem: Filmes do Estação

“A Mensageira” é uma obra argentina, filmada inteiramente em preto e branco, que aposta em uma narrativa intimista e sutil, trabalhando seus momentos com delicadeza. O filme aborda temas como exploração, trabalho infantil, questões financeiras e charlatanismo, tem a proeza de fazer tudo isso com certa pureza, sem recorrer ao explícito e banal, sendo tudo construído a partir de um olhar quase ingênuo, como se víssemos o mundo pelos olhos de uma menina. Apesar da proposta interessante e da sensibilidade estética, a obra não consegue se sustentar por completo. O ritmo arrastado e a duração excessiva acabam prejudicando a experiência, resultando em trechos que se tornam cansativos e pouco envolventes.

O longa acompanha Anika (Anika Bootz), uma jovem menina que alega ter o poder de se comunicar com animais, estejam eles vivos ou mortos. A protagonista percorre a Argentina ao lado de seus tutores, Myriam (Mara Bestelli) e Roger (Marcelo Subiotto), viajando em um furgão. Juntos, os três vivem de pequenas apresentações e atendimentos, explorando essa suposta habilidade em busca de sustento.

Um dos grandes acertos da obra está na direção de fotografia de Gustavo Schiaffino, que trabalha muito bem a escolha da paleta monocromática. Cada plano é cuidadosamente composto, resultando em imagens que encantam e merecem ser admiradas. Iván Fund constrói uma obra repleta de sutilezas, com momentos que funcionam justamente por sua delicadeza. A câmera assume um papel quase observador, como se fosse uma espectadora silenciosa, e o tom de falso documentário contribui para essa sensação de realismo.
Entretanto, a narrativa carece de elementos que a impulsionem. Há uma predominância de momentos lineares, com poucos acontecimentos dramáticos ou conflitos mais fortes que sirvam como motor para o desenvolvimento da trama, o que acaba tornando o ritmo arrastado em diversos momentos.

O roteiro demonstra certa dificuldade em aprofundar sua própria proposta, deixando a trama pouco desenvolvida e repleta de lacunas. Falta um maior cuidado na construção dos personagens, que acabam não sendo explorados de forma satisfatória, o que compromete o envolvimento emocional do público. Além disso, a duração se mostra excessiva, estendendo a narrativa de maneira desnecessária e reforçando a sensação de desgaste ao longo do filme. Anika Bootz controla bem o longa, sendo um bom trabalho da atriz mirim. Sua personagem tem carisma, apesar de pouca história mostrada.

Em síntese, o filme se mostra incapaz de sustentar as próprias ideias que propõe, abandonando questões importantes sem qualquer desenvolvimento ou conclusão satisfatória. O potencial existe, mas é desperdiçado em meio a um universo que o próprio longa não consegue organizar ou justificar. As reflexões até surgem, mas de forma superficial e pouco incisiva, funcionam mais como esboços do que como comentários realmente relevantes.

“No fim, fica a sensação de uma obra que arrisca ser profunda, mas que não consegue ir além da intenção.”
Vinycius Rodrigues

A Mensageira (2026)

Duração 1h31min Direção Iván Fund Roteiro Iván Fund, Martín Felipe Castagnet Elenco Anika Bootz, Mara Bestelli, Marcelo Subiotto Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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