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Crítica: Coyote VS. ACME

Crítica: Coyote VS. ACME

Imagem: Warner Bros.

Coyote VS ACME, do diretor Dave Green (As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras, 2016), traz mais uma vez para a tela grande os Looney Toons, personagens que fazem parte do imaginário popular nos últimos 80 anos. Nesse quinto projeto, quem está no cerne da história é o Wile E. Coyote, o “vilão” dos hilários episódios do Papa-Léguas.

Para começo de conversa, o plot do longa é bem original, com o Coyote querendo processar as Indústrias ACME. Para quem esteve preso em uma caverna desde 1930 ou seja da Geração Z, ACME é uma empresa fictícia que fabrica todos os produtos usados pelos personagens nas animações — desde uma simples caixa de fósforos até um foguete. E pra quem nunca viu um desenho do Papa-Léguas, os equipamentos e armadilhas do Coyote sempre dão errado, a maioria por falha dos produtos. Essa é a fonte de gargalhadas do filme desde a primeira cena, com um “timing” muito próximo dos clássicos, que corresponde às expectativas de quem já está familiarizado com o tipo de humor nonsense da turma do Pernalonga e com certeza vai surpreender positivamente a audiência não familiarizada.

A tal ação movida pelo “Carnivorous-Vulgaris” (um dos vários nomes científicos inventados para o Coyote nos episódios) contra a ACME serve de pretexto para a adição dos personagens humanos para a trama, como os advogados Kevin Avery (Will Forte, série O Último Cara da Terra) e Paige (Lana Condor, A Boca do Diabo, 2026), por exemplo. Que acabam tendo a mesma qualidade dúbia de quase todos os filmes que misturam atores reais com animação: se por um lado são essenciais para o enredo e o andamento do filme, por outro lado a interação sempre fica com um ar meio artificial que quebra um pouco a magia do filme. De fato, as melhores cenas dos personagens humanos são com outros personagens humanos. Quem se sobressai um pouco dos personagens de carne e osso é Buddy Crane (John Cena, série Pacificador), como o chefe dos advogados da ACME vilanesco e inescrupuloso, cuja a atuação caricata cai bem com o personagem e é de longe a melhor química contracenando com os animados.

Mas todos esses pontos são alicerces para o que o filme realmente quer entregar e consegue bem, que são as cenas escatológicas de violência animada que são a causa do sucesso desses personagens em quase 100 anos — inclusive com algumas cenas tiradas diretamente de episódios originais que foram produzidos entre as décadas de 40 e 60, que disparam gatilhos nostálgicos em quem assistia diariamente esses desenhos nas manhãs da infância.

A animação evoluiu muito esteticamente, mas o estilo está positivamente intacto. Desde as expressões dos personagens e trejeitos como os do Frangolino, Gaguinho e Piu-Piu, até a comunicação com placas e os planos mirabolantes desenhados na planta azul pelo Coyote estão como sempre foram. Como os Looney Toons tem mais de 70 personagens ao todo e ao menos 20 principais, obviamente não há espaço para todos e muitos acabam fazendo ponta como verdadeiros “easter eggs”, sendo reconhecidos automaticamente ou fazendo puxar pela memória, dando um plus na experiência dos mais velhos (menções a Albuquerque, por exemplo, são para a galera 40+).

Para um filme que quase não viu a luz do dia por questões financeiras, Coyote VS ACME merece ser visto pelo público e o público merece assistir. Na prateleira, o filme não chega no nível de Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988), mas está no nível de Tico e Teco: Defensores da Lei (2022), bem acima do dois Space Jams (1996, 2021).

“Coyote VS ACME resgata com maestria o humor clássico e anárquico dos Looney Tunes ao colocar o Coyote processando a empresa por seus produtos defeituosos.”
Leonardo Valério

Coyote vs. Acme (2026)

Duração 1h 43min Direção Dave Green Roteiro James Gunn, Samy Burch Elenco John Cena, Reginaldo Primo, Will Forte Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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