Após anos que o mundo esqueceu da identidade do Homem Aranha, e de quem é Peter Parker, nosso amado cabeça de teia retorna para enfrentar uma ameaça invisível que somente ele é capaz de neutralizar, enquanto lida com a volta de um trauma que inicia uma mutação aracnídea em seu corpo.
Com a saída do diretor Jon Watts, que participou de uma trilogia conturbada segundo os fãs, chegou o momento de Destin Daniel Cretton (Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis) tentar entregar para os fãs uma redenção do heroi mais famoso da Marvel. Felizmente, ele não só atendeu às nossas expectativas, mas também as superou insanamente.
“Homem Aranha: Um Novo Dia” é um respiro para os fãs que clamavam por uma aventura mais pessoal do heroi. É uma história que aborda temas sensíveis e mostra uma épica superação e virada de página na vida do pobre (financeiramente e mentalmente) Peter Parker, ao mesmo tempo que trabalha com glamurosas cenas de combate e do famoso “web swing” de forma majestosa nas telonas.
Enquanto um dos maiores problemas da trilogia de Jon Watts era a falta de originalidade e criatividade no uso das teias do Aranha, nesse filme essa é disparada a melhor qualidade! Todas as cenas de Peter se balançando pela cidade e fazendo manobras entre carros e prédios acabam não só tornando a cidade mais viva, mas também nos fazem sentir o mesmo vento e chuva que Peter sente ao explorar a cidade atrás de crimes pra combater. Tudo é feito com tanta naturalidade e diversão, que fica parecendo que atirar teias nos pontos certos e usar a força da gravidade ao seu favor é tão fácil quanto andar de bicicleta. Sentimos tudo isso na pele, e ficamos maravilhados assistindo na telona.

Junto a isso, Destin dedicou uma boa atenção do filme ao combate e as formas diferentes do Homem Aranha lutar cada um deles. Em lutas de grupos, Destin abusa da inteligência de Peter em criar apetrechos com suas teias para criar bombas e armadilhas com elas. Em uma luta contra um gigante moldado por raios gama, Destin sabe que a agilidade e improvisação no ambiente são as chaves que podem levar Peter a vitória, então brinca com isso como se fosse uma brincadeira de criança que todo fã do Aranha já teve algum dia. Cada batalha é feita com coração e contém rios de originalidade, algo que essa versão do heroi do MCU precisava.
Falando no MCU, esse filme dá uma aula sobre como mostrar que ele faz parte de um grande universo compartilhado, ao mesmo tempo que mantém seu foco em uma história isolada. Além de uma participação surpresa, o público pode notar que as presenças do Hulk e principalmente do Justiceiro não fazem o filme ser mais uma aventura compartilhada do MCU que prefere entregar fan service à desenvolvimento de personagem. Essas aparições servem como base para Peter entender que existe um grande mundo ao seu redor, e que às vezes ele precisa recorrer a ajudas inesperadas ou alianças controversas se quiser proteger o máximo de pessoas possíveis.
Em especial, vale destacar a relação alá irmão mais velho e mais novo do Homem Aranha com o Justiceiro. Brigas cotidianas, diálogos improvisados e uma diferente bruta nas questões morais de cada um acaba tornando essa dupla uma verdadeira pérola que não se encontra em nenhum outro filme de heroi.
No meio de tantas interações e conversas, algo importante acaba se perdendo: momentos de construção. Ao assistir o filme, o espectador pode sentir que algumas coisas acabam só acontecendo do nada, sem nenhuma cena que mostra uma construção para algo importante. Isso acaba sendo uma falha da edição na maioria das vezes, que decide colocar os momentos de forma abrupta, mas não é algo facilmente ignorável e que pode atrapalhar a experiência de várias pessoas.
Sobre os personagens, é claro que os fãs podem se sentir estranhos ao ver o retorno de Ned e MJ após o dramático fim do filme anterior, afinal era claro que Peter havia decidido viver uma vida sem eles… Mas meio que a volta deles, além de se relacionar totalmente com o tema do filme, é essencial para a evolução de Peter. Claro, eles não são o foco do filme, mas ambos servem como motivadores para Peter começar sua mutação e lidar com ela com o passar do filme, mesmo que indiretamente. Só é uma pena que todo o destaque vá para uma resolução do namoro de Peter com MJ, enquanto a amizade fortíssima com Ned acaba sendo jogada para escanteio.
Infelizmente é difícil mencionar os vilões do filme sem dar spoilers da trama, afinal a identidade da tal ameaça invisível que somente o Homem Aranha pode impedir está diretamente ligada com a resolução e derrota da mesma. E sobre a personagem vivida por Sadie Sink, esse é um segredo que é melhor descobrir vendo o filme nas telonas.
No geral, “Homem Aranha: Um Novo Dia” é muito mais do que os fãs esperavam e precisavam. É uma aventura de Peter Parker sofrendo, aprendendo e evoluindo, tanto sozinho quanto com as pessoas importantes que ele se recusa a voltar a amar. Uma jornada linda que passa por combates emocionantes, relações complicadas e vilões que vão além do arquétipo de terem uma motivação triste para atos cruéis.
Por sinal, o filme tem apenas uma cena pós créditos que vale a pena conferir para saber o futuro do heroi nos próximos filmes evento da Marvel.
Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026)
Duração 2h 25min Direção Destin Daniel Cretton Roteiro Chris McKenna, Erik Sommers Elenco Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jacob Batalon, Jon Bernthal, Tramell Tillman, Michael Mando, Mark Ruffalo Onde assistir Ver plataformas no JustWatchCompartihar: