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Crítica: No Rastro do Perigo

Crítica: No Rastro do Perigo

Imagem: Adrenalina Pura

“No Rastro do Perigo” é um longa de ação que até consegue entregar entretenimento despretensioso em certos momentos, mas sucumbe rapidamente ao peso de sua própria mediocridade. Recicla fórmulas já batidas do cinema de ação como “Shaft”, “Bad Boys” ou “Hobbs e Shaw”, só que neste filme, o conceito sai sem qualquer identidade ou criatividade, apoiasse em clichês previsíveis e em um humor pastelão que frequentemente resvala no involuntariamente risível.

Na trama, acompanhamos Jaxen (Michael Jai White), um ex-policial que, após sair da corporação, passa a atuar como investigador particular. Sua mais nova missão consiste em localizar e resgatar uma famosa estrela da música, Jahari (La La Anthony). Assim, ele mergulha em uma conspiração repleta de perseguições, violência e situações absurdas.

Com um roteiro frágil e saturado, a trama não consegue desenvolver adequadamente sua própria narrativa, e nem estabelecer um universo minimamente interessante ou convincente. Se desenrola de maneira apressada e superficial, acumulando situações previsíveis sem qualquer preocupação em aprofundar conflitos ou construir tensão dramática. Os personagens, embora carreguem passados e motivações que poderiam render algo mais elaborado, são escritos de forma extremamente rasa. Falta desenvolvimento, o que impede qualquer aproximação emocional do espectador. O protagonista por exemplo, é retratado quase como uma caricatura de super-herói invencível. Jaxen atravessa a narrativa sem enfrentar obstáculos reais, sem demonstrar vulnerabilidade ou sofrer consequências significativas por seus atos. Sempre imbatível, excessivamente habilidoso e convenientemente preparado para qualquer situação.

As limitações do baixo orçamento ficam expostas de maneiras constrangedoras em diversos aspectos da produção, desde as encenações pouco inspiradas, até sequências de ação mal coreografadas e tecnicamente frágeis. Algumas das sequencias beiram até o ridículo, deixando evidente a falta até de profissionalismo. Em vez de contornar essas restrições com inventividade, o filme opta por decisões estéticas e narrativas questionáveis. São inúmeras cenas de luta falsas, CGI muito mal feito, atuações que não convencem, falas fracas e montagem que deixa muito a desejar.

A direção de Michael Jai White aposta em uma condução simples, e em determinados momentos consegue sustentar minimamente o ritmo da narrativa. Mas falta personalidade e refinamento estético para que o filme alcance qualquer destaque dentro do gênero. Embora algumas sequências cumpram seu papel de maneira competente, a direção frequentemente tropeça em escolhas de enquadramento pouco inspiradas e em cenas de ação mal decupadas, o que prejudica a dinâmica e a intensidade dos confrontos.

A fotografia, por sua vez, apresenta lampejos de qualidade técnica superior ao restante da produção. Algumas imagens aéreas e o trabalho de iluminação conseguem conferir certo apelo visual ao longa, criando momentos visualmente agradáveis. No entanto, assim como ocorre com a direção, trata-se de uma estética apenas funcional, incapaz de construir uma identidade visual marcante ou verdadeiramente memorável.

Em síntese, o resultado é uma obra que não consegue ser levada a sério, não por assumir conscientemente uma proposta caricatural, mas pela incapacidade de equilibrar sua pretensão de ação intensa com uma execução extremamente artificial e genérica.

“É um longa de ação que até diverte em certos momentos, mas acaba ficando muito abaixo de algo verdadeiramente bom.”
Vinycius Rodrigues

No Rastro do Perigo (2026)

Duração 1h32m Direção Michael Jai White Roteiro Michael Stradford Elenco Michael Jai White, Method Man, Noah Fleder Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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