Crítica: Os Estranhos: Capítulo 3

Crítica: Os Estranhos: Capítulo 3

“Os Estranhos: Capítulo 3” não apenas decepciona, mas escancara o esgotamento da própria franquia. Mesmo com expectativas já baixas após o capítulo anterior, a obra consegue se afundar ainda mais, entregando um resultado apático e sem qualquer senso de direção. O roteiro de Alan R. Cohen e Alan Freedland é raso, preguiçoso e dramaticamente falido, é incapaz de construir tensão ou justificar a própria existência. A narrativa se arrasta em um ciclo vazio de gato e rato que não evolui, não surpreende e, pior, não envolve.

Dirigido por Renny Harlin, o filme é o encerramento da franquia de terror “Os Estranhos”, cercada por trabalhos que dividem bastante opiniões. A terceira parte começa exatamente de onde a anterior parou, Maya se vê presa aquele vilarejo, sem em quem confiar e destinada a enfrentar o mal novamente. A protagonista é cercada por vingança, ficando na balança da duvida entre entrar para o grupo assassino, ou acabar com eles de uma vez. Lotado de flashbacks, o filme tenta ao mesmo tempo que acompanhar Maya, contar melhor a história por trás dos mascarados e suas psicopatias.

O longa é marcado por uma sucessão de acontecimentos sem sentido, mortes fáceis e completamente desprovidas de apelo dramático. Aposta mais no choque que os assassinatos podem causar do que no drama que pode ser desenvolvido. Falta peso, falta consequência, e tudo soa descartável, como se nada realmente importasse dentro da narrativa, nada além de Maya. Embora a protagonista seja constantemente submetida a situações de terror intenso, e nesse sentido o filme até consiga construir momentos de agonia, isso não é suficiente para sustentar a obra. O impacto do horror se perde justamente pela fragilidade do roteiro, que não dá base emocional para o que está sendo mostrado.

Com essa estrutura confusa, apressada e que carece de um desenvolvimento consistente, o arco narrativo erra mais do que acerta, sendo o resultado para uma gama de acontecimentos desconectados e sem impacto. Com o uso de flashbacks, que tentam humanizar os antagonista, mostrando suas infâncias psicóticas, o filme tenta humaniza-los, mas até isso soa ineficaz. Enquanto o passado recebe certa atenção dramática e quer guiar o filme por um rumo mais pessoal, o presente é negligenciado, deixando as ações e motivações vazias e pouco convincentes. Esse desequilíbrio enfraquece ainda mais a narrativa, que nunca consegue se sustentar.

Uma das poucas tentativas de respiro do filme está na atuação de Madelaine Petsch (Maya), que, embora não entregue nada excepcional, se esforça para sustentar a narrativa. Há empenho, há tentativa, mas o material simplesmente não colabora. Como estratégia de marketing, sua escalação parece pensada para atrair público e gerar algum apelo comercial. No entanto, nem isso surte efeito. A fragilidade do roteiro e a falta de consistência da obra são tão evidentes que nem mesmo o esforço da atriz consegue dar o peso necessário à personagem ou tornar a experiência mais envolvente.

Em síntese, “Os Estranhos: Capítulo 3” é um encerramento que mais compromete o legado do original de 2008, do que acrescenta qualquer valor à franquia. Ao se perder dentro de sua proposta inicial, o filme abandona a essência que o tornou relevante e conclui a saga de forma decepcionante e, acima de tudo, desnecessário. Conta com uma história desastrosa, que até carrega um certo potencial em sua base, mas se perde em um desenvolvimento sem propósito.

“Conta com uma história desastrosa, que até carrega um certo potencial em sua base, mas se perde em um desenvolvimento sem propósito.”
Weslley Lopes
 Crítica: Os Estranhos: Capítulo 3

Os Estranhos: Capítulo 3 (2026)

Duração 1h 31m Direção Renny Harlin Roteiro Alan R. Cohen, Alan Freedland, Bryan Bertino Elenco Hannah Galway, Ema Horvath, Krystal Ellsworth Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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