Crítica: Pânico 7

Crítica: Pânico 7

PÂNICO VII (Scream VII) do diretor Kevin Williamson (praticamente toda a franquia Pânico) vem com a missão de se reinventar como filme, após as saídas conturbadas de Jenna Ortega (Vandinha) e Melissa Barrera (Pânico VI). E para isso traz de volta a “Final Girl” original, Sidney Prescott (Neve Campbell, Arranha-Céu: Coragem Sem Limite, 2018), protagonista de quase todos os filmes da franquia, desde o primeiro, que foi o responsável por dar uma bela revitalizada no gênero.

Com esse retorno, a produção também mergulhou fundo no que tornou Pânico tão interessante para o público 30 anos atrás, que é ser um filme de terror que ao mesmo tempo é uma paródia inteligente do gênero, usando de todos os seus clichês, não só como pontos a serem cumpridos em um roteiro, mas também como uma importante ferramenta para manter o público conectado, apontando o que se deve observar nos filmes de terror, ou o quanto podem ser previsíveis. A nova produção tenta elevar esse conceito a paranóia, onde literalmente todos são suspeitos e para o fã mais calejado, nem a morte de um personagem é suficiente para riscar da lista.

Como é comum a qualquer continuação, principalmente as mais longevas, as cenas de morte tem que ser cada vez mais diferentes e elaboradas e aqui o filme não deixa a peteca cair. Ghostface está afiado e violento, mas para a diversão de muitos, ele continua apanhando quase tanto quanto mata. Com a volta de personagens de várias produções ao longo dos anos, a sensação é de uma tentativa de juntar todos os fãs dos últimos 30 anos em um só filme. Sidney (Campbell) não é mais uma possível vítima frágil, tem mais de duas décadas. Toda a força de sua personagem mostra que o Ghostface tem uma oponente a altura desde o início e que o embate não será nada fácil.

A antiga inocente e frágil Sidney, agora é vista em sua filha Tatum (Isabel May, série O Jovem Sheldon), que aqui interpreta o estilo de virgem em perigo. No meio de um vasto elenco, a maioria para morrer, que é o que se pede de um bom “slasher”, vale ressaltar os retornos de Gale Wheathers (Courteney Cox, série Friends) cada vez mais carismática do que irritante e dos irmãos Chad (Mason Gooding, A Queda, 2022) e Mindy (Jasmin Savoy Brown, série Yellowjackets) como legados do saudoso Randy (Jamie Kennedy, Pânico 2, 1997). Infelizmente o longa padece de um problema que é comum em sagas que se entendem como essa, que é a motivação do vilão da vez.

A cada filme que se faz, fica mais difícil criar uma motivação plausível para alguém colocar uma máscara de fantasma e sair esfaqueando pessoas. E a cada produção as razões são cada vez mais ridículas ou estapafúrdias e Pânico 7 não escapa disso. Todo o cuidado que se teve para não vazar spoilers do filme meio que dá a sensação de que foi para se precaver a isso, o que é uma pena, pois por mais tresloucada que seja a ideia que se passe ao longo da história, ainda sim é instigante. Pânico 7 cumpre o seu o seu papel como filme de terror e é um prato cheio para o fã da franquia e a recomendação para maratonar os filmes anteriores antes de ir ao cinema não é exagerada. Apesar dos 15 minutos finais derraparem feio chegando no limite da ofensa ao intelecto do espectador, a jornada até esse ponto compensa e o produto final se entrega como um dos melhores da franquia.

“Apesar dos 15 minutos finais derraparem feio chegando no limite da ofensa ao intelecto do espectador, a jornada até esse ponto compensa e o produto final se entrega como um dos melhores da franquia.”
Leonardo Valério
 Crítica: Pânico 7

Pânico 7 (2026)

Duração 1h54min Direção Kevin Williamson Roteiro Guy Busick Elenco Neve Campbell, Courteney Cox, Isabel May Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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