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Crítica: Toy Story 5

Crítica: Toy Story 5

Imagem: Pixar

Toy Story (John Lasseter) foi um divisor de águas em 1995 por conta de suas inovações em animação, mas também se tornou marcante por sua história de brinquedos vivos. Com as sequências, vieram mais personagens e um aprofundamento da trama, que funciona em camadas dependendo da faixa etária do espectador — trazendo algo lúdico e colorido para os mais novos e o reconhecimento de ciclos e da passagem da vida para os mais velhos. Após quatro filmes muito bem recebidos pela crítica e pelo público, ainda havia céticos se perguntando se um quinto longa era mesmo necessário. E é sem nenhuma surpresa que podemos dizer que sim: Toy Story 5 (Andrew Stanton) se faz necessário como uma animação reflexiva, cheia de camadas de compreensão, identificação e pontos de vista que variam segundo a maturidade de quem assiste.

O filme parte da premissa de que o novo “brinquedo”, um tablet chamado Lilypad (Maisa Silva), torna-se um adversário pela atenção da pequena Bonnie (Júlia Pacciello) ou até mesmo uma ameaça. Com todos os seus recursos tecnológicos e capacidade de comunicação, o dispositivo mostra uma imensa vantagem frente aos brinquedos tradicionais. A missão de brincar com a criança e ajudá-la a fazer amigos se torna mais difícil em uma era na qual as crianças (e os adultos também) passam boa parte de seus momentos acordados em frente a uma tela.

Nesse ponto, logo no início, o longa já insere uma crítica de maneira simples e seca: as pessoas nunca estiveram tão conectadas e tão distantes ao mesmo tempo. Ao mostrar indivíduos no mesmo cômodo que não interagem entre si por estarem grudados às telas, presos à rolagem infinita, o filme discute como esse tipo de interação, na maioria das vezes, cria apenas laços artificiais. Outro ponto interessante é como o roteiro mostra que quem tem mais dificuldade de se socializar no mundo real pode encontrar uma falsa segurança no mundo virtual.

Todas essas questões são levadas à tela com aquele estilo Disney de fisgar o espectador pelo coração, em uma hábil combinação de roteiro e música que emociona em diversos momentos. Como um excelente contraponto, temos uma enxurrada de cenas hilárias protagonizadas pelos brinquedos, dando um show de empatia. Mesmo que o elenco esteja bastante inchado após 31 anos e cinco filmes, todos têm ao menos uma cena para brilhar.

Jessie (Mabel Cezar) agora lidera os brinquedos e ganha momentos um pouco mais sombrios além do humor, assim como já visto antes com a personagem. No entanto, seu zelo por sua criança só é equiparável ao de Woody (Marco Ribeiro), que ficou responsável por toda a carga de piadas etaristas do longa. O filme usa o cowboy para brincar com a passagem do tempo dentro e fora da fábula — afinal, quem viu o primeiro Toy Story nos cinemas quando criança já está ficando como o brinquedo preferido do Andy hoje em dia. Buzz Lightyear (Guilherme Briggs) retorna com seu estilo formal e atrapalhado, e suas cenas com Woody estão ótimas, reeditando até uma certa rivalidade do filme original de 1995. Entre os novos integrantes, além de Lilypad, quem rouba a cena e arranca boas gargalhadas é o Amigo Rolinho (Rafael Infante), um brinquedo que ensina a usar o banheiro. Ele está envolvido nas situações mais engraçadas, sempre relacionando os momentos a alguma necessidade fisiológica; as crianças (e quem nunca saiu mentalmente da quinta série) vão adorar. É uma pena que uma de suas melhores piadas se perca um pouco na dublagem, mas o detalhe deve passar despercebido por boa parte do público.

Um diferencial interessante deste quinto projeto é o foco maior nos humanos, que deixam de ser meros coadjuvantes para se tornarem a peça central da história, dando um objetivo maior aos brinquedos. Isso acaba sendo mais uma ferramenta de conexão com o público ao acompanharmos as dificuldades de socialização de Bonnie e de Blaze (Manuela Góes Garcia), uma garota do campo bem extrovertida, mas que também não tem amigos. É provável que haja crianças que se identifiquem, além de adultos que possam se enxergar ali, lembrando da própria infância ou pensando em um filho ou sobrinho com a mesma dificuldade.

Com todas essas situações, a trama aborda temas complexos, como se forçar a ser quem você não é para ser aceito pelo grupo, e como a facilidade de obter e trocar informações de forma irrefreada pode empurrar as crianças para um amadurecimento precoce, queimando etapas de maneira nada saudável. Porém, os assuntos são tratados de forma lúdica e sempre usando o alívio cômico para amenizar e divertir.

9,5
Incrível
Mais Críticas
“Afinal de contas, mesmo com toda a lucidez que Toy Story 5 traz em suas entrelinhas, o objetivo final ainda é o entretenimento — e essa nova aventura cumpre esse papel com louvor.”
Leonardo Valério

Toy Story 5 (2026)

Duração 1h 42min Direção Andrew Stanton Roteiro Maggie O’Farrell, Chloé Zhao Elenco Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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