“Dolly – A Boneca Maldita” surge como uma nova aposta no terror, já com pretensões de se transformar em franquia. Apostando em um gore intenso e explícito, o longa se mistura ao terror psicológico e mergulha em uma abordagem brutal, buscando impactar o espectador pelo choque e pela violência.
O filme acompanha Macy (Fabianne Therese), uma jovem que, ao lado do namorado Chase (Seann William), atravessa uma floresta rumo a um mirante, onde ele pretende pedi-la em casamento. No entanto, o que deveria ser um momento especial toma um rumo sombrio quando, no caminho, o casal se depara com uma figura sinistra vestida como uma boneca, Dolly (Max The Impaler), que usa uma perturbadora máscara de porcelana. A criatura rapta Macy e a leva para ser tratada como sua nova boneca.
A narrativa tem um início eficiente e insere o espectador em seu universo de forma ágil, sem rodeios. Não perde tempo com situações descartáveis e já deixa claro, desde as primeiras cenas, a que veio. No entanto, essa rapidez acaba soando mais funcional do que envolvente, já que a construção do casal e da antagonista é superficial e pouco desenvolvida. Dolly, que é o centro da trama, demonstra grande potencial tanto em carga dramática quanto em história, mas é pouco explorada, o que deixa aquele ar de “quero mais” no espectador. Assim, apesar de um ritmo aparentemente bem dosado, falta profundidade para que os momentos se sustentem de forma consistente ao longo do filme.
As mortes apostam no exagero, mas acabam caindo no absurdo gratuito. Os personagens são frágeis e claramente descartáveis, existindo apenas para cumprir função dentro da sequência de mortes. Soma-se a isso uma narrativa repleta de incoerências, que ignora qualquer lógica interna e, em diversos momentos, beira o absurdo.
Um dos pontos mais notórios da obra está no fato de não contar com um grande investimento — algo que, dentro de suas limitações, é até bem administrado. O filme funciona com a pouca verba disponível, especialmente quando comparado a produções maiores do gênero. O diretor Rod Blackhurst demonstra cuidado na composição visual, apostando em planos bem trabalhados que contribuem para a construção e a permanência do horror. Há também um uso interessante de efeitos práticos, aliado a uma estética que busca inspiração nos slashers clássicos dos anos 70. A escolha por filmar em 16mm reforça essa proposta, trazendo uma textura mais crua e suja à imagem. No entanto, essa abordagem, embora estilisticamente coerente, por vezes soa mais como uma tentativa de emular referências do que como uma identidade própria plenamente desenvolvida.
O roteiro, assinado pelo próprio diretor em parceria com Brandon Weavil, está longe de se destacar. Apesar de apresentar algumas ideias interessantes, carece de consistência e segurança narrativa, falhando em desenvolver seus conceitos e personagens com a devida profundidade. Em muitos momentos, recorre a clichês e soluções fáceis, acumulando deslizes que comprometem a condução da trama.
Em síntese, “Dolly – A Boneca Maldita” até tenta se sustentar e funciona como um entretenimento voltado ao terror e ao gore, mas seu resultado está longe de ser realmente satisfatório. O filme evidencia um potencial que nunca se concretiza, prejudicado por um roteiro frágil, previsível e mal estruturado, além de atuações pouco inspiradas, que não conseguem dar peso dramático à narrativa.

Dolly – A Boneca Maldita (2026)
Duração 1h23 min Direção Rod Blackhurst Roteiro Rod Blackhurst, Brandon Weavil Elenco Fabianne Therese, Russ Tiller, Michalina Scorzelli Onde assistir Ver plataformas no JustWatchCompartihar:















1 comentário