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Crítica: Resident Evil

Um infeliz entregador se vê preso ao dever de entregar um importante pacote misterioso na cidade de Raccoon City, que está envolta em uma grande tempestade de neve. Entretanto, o clima horrível é o menor de seus problemas, já que…

Crítica: Resident Evil

Um infeliz entregador se vê preso ao dever de entregar um importante pacote misterioso na cidade de Raccoon City, que está envolta em uma grande tempestade de neve. Entretanto, o clima horrível é o menor de seus problemas, já que a cidade e seus arredores foram tomados por monstros (às vezes) humanoides que querem o devorar a todo custo.

Baseado na enorme e clássica franquia de jogos de terror com zumbis e outras criaturas biológicas bizarras, “Resident Evil” tinha uma missão muito difícil: entregar uma adaptação que fizesse jus ao horror estabelecido por inúmeras produções, já que as adaptações anteriores nunca chegaram nem aos pés dos piores jogos da saga.

Então, sendo direto ao ponto: sim, o filme dirigido por Zach Cregger (Weapons) honra a saga de jogos com maestria, abraçando os elementos mais icônicos e dando aos fãs uma experiência autêntica… mas não do jeito que a maioria espera.

Ao se propor a fazer uma história original, a produção tira de cena um dos pontos mais fortes de qualquer adaptação de jogo: a história e seus personagens. Mas, dentro da sua intenção, isso é perfeito. O filme foi feito para criar algo novo em cima de uma ideia já estabelecida, enquanto foca em adaptar algo mais importante do que uma equipe de agentes especiais ou um policial novato atrasado para o trabalho: a jogabilidade (ou gameplay, para facilitar).

O sucesso de qualquer jogo de terror vem principalmente do quão assustador ele pode ser, e foi isso que o diretor Zach Cregger quis buscar e trazer no filme. Sabe aquela sensação horrível de não passar de uma porta porque ela tem um cadeado com uma chave colorida e de formato estranho? Ou aquele pavor de andar em um corredor escuro só com duas balas no pente? Pois é, a intenção da produção é trazer a sensação de jogar para as telonas, e não só contar novamente uma história que o público dos jogos sabe de cor.

Todas as aflições, frios na barriga, sustos e questionamentos cômicos que temos durante a exploração pelos jogos da saga são transportados perfeitamente para a tela, fazendo o espectador se assustar, rir e ficar imerso na nova história que está sendo apresentada. A imersão não vem ao ver um personagem conhecido na tela, mas sim ao ver o mesmo sentimento do jogo ali.

Um grande mérito disso vem da falta de personalidade do protagonista, o entregador Bryan, que sequer tem seu nome citado direito no filme. Ele tem, sim, uma história construída e relembrada vagamente durante o longa, mas, por justamente ser um personagem vazio e simples, é fácil para o espectador se colocar no lugar dele e construir um carisma genuíno por alguém que não só está passando pelo inferno de zumbis em Raccoon City, mas também por alguém que já passou (mesmo que de forma diferente) pelo que um jogador viu nos jogos. É uma sensação parecida com a de colocar alguém sem noção nenhuma do jogo para jogar e reagir a tudo ao seu lado.

Falando agora de outro ponto extremamente necessário para estabelecer a qualidade do horror do filme: os monstros. Sim, monstros, não zumbis. Tal qual nos jogos, “Resident Evil” traz uma abordagem mais misteriosa para as criaturas biológicas que aterrorizam Raccoon City, trocando o conceito de humanos raivosos e quase indestrutíveis por seres com mutações aleatórias pelo corpo e que aparecem no calor do momento.

Um bom comparativo seria como na reta final de um jogo da saga, onde em um corredor você pode encontrar alguns zumbis básicos, mas a maioria esmagadora de inimigos é composta por mutantes superpoderosos que podem se esticar ou atirar ácido pela boca.

Um ponto interessante, porém confuso à primeira vista, é que a produção conta com diversos momentos de humor. Isso logicamente pode ser visto com maus olhos; entretanto, é importante lembrar que, junto dos sustos, Resident Evil sempre apresentou personagens que soltavam piadas e trocadilhos após se adaptarem a certas situações. Esse elemento simples, mas muito importante para a construção de um ritmo confortável para o filme, foi bem balanceado aqui, com momentos certeiros e nada exagerados como foi divulgado nas sessões de teste.

“Resident Evil” é uma carta de amor não para os amantes da história da franquia, mas para quem gosta de sentir aquele frio na barriga da jogabilidade. Uma narrativa que funde o protagonista, o jogador e o espectador em um só, entregando uma verdadeira experiência autêntica no mundo do terror e das adaptações de jogos.

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