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Crítica: Zafari

Crítica: Zafari

Imagem: VITRINE FILMES

Zafari” é um reflexo do que a fome e uma sociedade em desmanche podem causar; o ser humano reduzido ao completo primitivo, sendo guiado mais pelos instintos do que pela razão. Em uma Venezuela distópica, pai, mãe e filho tentam se manter em meio a falta d’água, fome e apagões. A família reside em um condomínio de classe média, que fica próximo a um zoológico, e com a chegada de um novo animal, o hipopótamo Zafari, uma fuga momentânea da realidade os acompanha. Com o passar dos dias, a permanência dos problemas e o agravamento de conflitos com vizinhos de um condomínio adjacente de classe inferior, o núcleo é levado ao extremo.

O filme é cercado por críticas fortíssimas; tanto morais quanto sociais. Em uma realidade aonde o animal é melhor tratado do que os próprios seres humanos. O roteiro de Mariana Rondón e Marite Ugas trabalha uma história no mínimo diferente, inspiradas em um acontecimento real, as roteiristas chocam fortemente o publico, com um retrato visceral da natureza humana. Entretanto, a história não consegue se firmar em muitos pontos, apresentando uma trama algumas vezes arrastada e sem ser explorada na completude que poderia.

A fotografia é, sem duvidas, um dos melhores pontos dessa realização. É crua, intimista e funciona muito bem, ajudando a aprofundar o universo de “Zafari. Com tons terrosos, o uso predominante de marrom, laranja, e verde, o longa consegue passar a sensação de calor, de sujeira e de um ambiente desertificado, o que combina muito com a ideia principal que é a falta d’água. E a fotografia não fica presa só em paleta de cores, mas também apresenta uma composição visual muito boa, com imagens bem construídas. Entretanto o CGI deixa bastante a desejar, sendo nítido algumas vezes os objetos falsos que são acrescentados na pós. Rondón entrega uma direção consolidada, com seus planos bem pensados, uso de dupla exposição, escolha de planos detalhes, a diretora não deixa a desejar.

Só que, o problema do longa não está na técnica em si, mas sim na própria estrutura de sua história. Em 1h e 30min, o filme não consegue falar dos detalhes, por mais que os protagonistas e suas histórias Ana (Daniela Ramirez) e Edgar (Francisco Denis) sejam interessantes, acabam sendo rasos, com tramas pouco desbravadas. A vida do casal se apaga e eles ficam apenas sendo condutores da trama. Já o hipopótamo que era para ser o centro daquele furacão, muitas vezes é esquecido e pouco aparece. O filme demora bastante para ingressar, o que afasta o espectador de sua ideia, ainda que original e em alguns momentos capte a atenção.

Em conclusão, “Zafari” é uma obra política e um estudo sociológico, uma ideia boa, mas que deixa a desejar em certos quesitos. Seu final por mais que seja impactante dentro da trama, não supre as expectativas. Muitos acontecimentos são apresentados, mas poucos são desenvolvidos e encerrados de forma satisfatória. É uma ótima ideia, mas que não soube tratar suas escolhas e detalhes. No final, sua mensagem é clara: você foge dessa realidade, ou mais cedo ou mais tarde acaba se curvando a ela.

“Em conclusão, “Zafari” é uma obra política e um estudo sociológico, uma ideia boa, mas que deixa a desejar em certos quesitos.”
Vinycius Rodrigues

Zafari (2026)

Duração 2h5m Direção Mariana Rondón Roteiro Mariana Rondón, Marite Ugas Elenco Daniela Ramirez, Francisco Denis, Samantha Castillo Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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