Desenvolvido pelo estúdio Glory Jam, Grim Trials é um roguelite no qual controlamos uma jovem candidata a ceifadora. Para se tornar uma representante oficial da Morte e superar suas próprias inseguranças, ela deve enfrentar uma série de desafios mortais.
A história não é tão profunda quanto poderia ser. No jogo, assumimos o papel de Avelin, uma jovem que, após falecer, recebe a missão de derrotar sete almas pecadoras para conquistar seu posto. Porém, ao derrotar cada um desses alvos, sua própria alma vai sendo purificada de seus medos e pecados, o que desperta na protagonista o temor de perder sua essência no processo.
Esse medo se agrava porque Avelin deseja reencontrar seu amado que ainda está vivo, temendo que ele não a aceite após a purificação. Durante a jornada, ela precisa aceitar sua nova condição e entender que não poderá retornar ao mundo dos vivos como antes.

Essa premissa daria uma excelente história sobre desenvolvimento de personagem, mas o roteiro apressado estraga o potencial. Toda a evolução de Avelin é entregue em diálogos curtos. Embora dê para entender como ela se sente, fica difícil criar empatia real.
O jogo conta com pouquíssimas missões, trazendo um desenvolvimento narrativo raso. Além disso, as conversas não têm dublagem e os retratos dos personagens carecem de variações de expressão. Em pouco tempo, o jogador para de se importar com o enredo e foca apenas na jogabilidade. O que é uma pena: a história não é ruim, apenas mal contada.

Na gameplay, o título entretém, mas não empolga. A variedade de armas é minúscula e elas possuem poucas opções de ataques, o que impede a criação de combos mais elaborados. Até é possível montar builds combinando equipamentos e a árvore de habilidades, mas as opções são bastante limitadas.
As batalhas contra os chefes são legais, mas o caminho até elas deixa a desejar. A escassez de cenários e de tipos de inimigos, somada ao combate simples, faz o jogo ficar repetitivo rapidamente. Ao limpar cada sala, você escolhe bênçãos para fortalecer a personagem, mas a oferta é pequena — em pouco tempo você já testou todas e acaba escolhendo sempre as mesmas, já que várias não são realmente úteis.

Nos gráficos, o título se sai bem: os cenários e os personagens são bonitos e bem construídos. A trilha sonora em heavy metal não decepciona, combinando perfeitamente com a proposta. Em otimização, ele também não erra, rodando de forma fluida e sem bugs.
O maior problema de Grim Trials é o seu escopo minúsculo. Tudo nele é pequeno: história, combate, cenários e variedade de inimigos. O tédio bate rápido quando se percebe que o jogo não mostrará nada de novo até os créditos. É uma pena, pois havia potencial. Ele até pode divertir quem busca algo leve e sem expectativas, mas um jogo que exige “expectativas baixas” para funcionar dificilmente vale o investimento, especialmente considerando seu preço e as alternativas melhores no mercado de roguelites.
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