A Undead Labs quebrou o silêncio de seis anos. Durante o Xbox Games Showcase deste domingo (7), o estúdio finalmente mostrou o primeiro gameplay real de State of Decay 3 — e a espera parece ter valido a pena. O jogo chega em 2027 para Xbox Series X|S, PC e, pela primeira vez na franquia, PlayStation 5, além de day one no Game Pass. A pré-venda ainda não está disponível, mas os jogadores já podem se inscrever para os testes alpha no site oficial.
O trailer, capturado 100% em engine (sem CGI), mostrou exploração em mundo aberto, construção de assentamentos, fabricação de armas, combate cooperativo e a grande novidade: os Plague Nests (Ninhos da Praga), estruturas de inimigos que evoluem dinamicamente conforme o jogador ignora ou enfrenta eles.
A maior evolução em relação a State of Decay 2 está nos Plague Nests. Enquanto os “Plague Hearts” do jogo anterior eram ameaças estáticas que enviavam zumbis aos jogadores, os ninhos de State of Decay 3 têm comportamento próprio e reagem ao que os jogadores fazem no mundo.
O diretor criativo Kevin Patzelt explicou a mecânica no Xbox Wire:
“Pense neles como um inimigo com seus próprios planos. Passamos muito tempo pensando no que ele faz, como funciona e como reage às ações dos jogadores. São fontes dinâmicas de encontros com inimigos que os jogadores podem invadir e destruir, mesmo que apenas por algum tempo.”
Cada ninho tem uma “persona” diferente (comportamento único), garantindo que nenhuma partida seja igual. Alguns se espalham rápido, outros ficam mais fortes localmente. Ignorar os ninhos não é opção: se deixados intocados, eles crescem em poder e passam a pressionar os assentamentos do jogador de forma mais agressiva.
Mapa quatro vezes maior e até 3 assentamentos simultâneos
O mapa de State of Decay 3 é aproximadamente quatro vezes maior do que qualquer mapa individual de State of Decay 2. Os jogadores podem construir até três assentamentos simultâneos, cada um com características próprias dependendo da localização (algumas bases têm recursos embutidos, como geração de eletricidade).
A rede de assentamentos se expande com o apoio de enclaves de NPCs — grupos independentes que podem se tornar aliados, ampliar o raio de influência do jogador e, eventualmente, serem recrutados.
Um dos eixos de design mais interessantes é a chamada “cultura maker” (faça você mesmo). Anos depois do colapso inicial, os sobreviventes já não têm acesso a equipamento original. Tudo o que existe foi fabricado, adaptado ou recuperado do entulho.
Exemplo concreto: no jogo anterior, o taco de golfe era uma das armas mais comuns. Em State of Decay 3, todos os tacos de golfe estão quebrados. O que os jogadores encontram são armas como facões com lâmina serrilhada, machetes com vergalhão soldado na traseira ou ferramentas modificadas para causar mais dano
A fabricação de armas é parte central do loop de jogo, e o nível de personalização reflete o tempo que passou desde o início do apocalipse.
Combate evoluído: dois botões de ataque e zumbis mais inteligentes
O sistema de combate recebeu um “level-up” significativo:
- Dois botões de ataque (ataque rápido e ataque pesado), permitindo criar “círculos de luta” e responder a diferentes cenários.
- Zumbis com comportamentos diferenciados: os lentos e deteriorados agem de forma diferente dos “frescos” (menos deteriorados) e dos que usam armaduras.
- Freaks (aberrações) continuam sendo ameaças que mudam completamente o campo de batalha.
Coop para 4 com “mundo compartilhado”
O jogo suporta solo e coop para até 4 jogadores em um mundo compartilhado — ou seja, qualquer jogador pode fazer mudanças no mundo (assincronamente) que afetam todos. É possível construir um assentamento juntos ou se separar pelo mapa e fazer coisas diferentes (“jogar juntos, mas separados”).
O permadeath retorna e com mais peso narrativo: perder um sobrevivente afeta não só os recursos, mas os próprios personagens do mundo, que reagem à perda de membros da comunidade.
Alpha em andamento e mais detalhes em breve
Desde abril de 2026, a Undead Labs conduz testes alpha fechados com jogadores selecionados. A lista de inscrições segue aberta no site oficial, e novas ondas de acesso serão liberadas ao longo do ano.
“A barra de qualidade da experiência momento a momento está mais alta do que qualquer coisa que já alcançamos na história da Undead Labs. Estamos apenas arranhando a superfície do que este jogo oferece”, afirmou Patzelt.
State of Decay 3 parece estar corrigindo as principais críticas do segundo jogo (mapas repetitivos, ameaças estáticas, multiplayer limitado) e expandindo o que funcionava (construção de comunidade, gestão de recursos, permadeath). Os Plague Nests são a evolução que os fãs pediam, e a “cultura maker” adiciona uma camada de personalização e imersão que faz sentido no contexto pós-apocalíptico.
A chegada ao PS5 é um marco para a franquia, e o Game Pass no primeiro dia continua sendo o melhor negócio para quem quer testar sem compromisso. Resta saber se a Undead Labs conseguirá entregar tudo isso sem os bugs e problemas de performance que marcaram o lançamento do segundo jogo. Mas, pelo que foi mostrado, as bases estão sólidas.
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