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Crítica: The Fox Sisters

“As Irmãs Fox” é uma produção com grande participação brasileira, que sustenta uma atmosfera de suspense do início ao fim. A obra desperta a curiosidade do espectador e consegue construir momentos de tensão, principalmente por meio do mistério que envolve…

Crítica: The Fox Sisters

“As Irmãs Fox” é uma produção com grande participação brasileira, que sustenta uma atmosfera de suspense do início ao fim. A obra desperta a curiosidade do espectador e consegue construir momentos de tensão, principalmente por meio do mistério que envolve sua narrativa. No entanto, apesar de apresentar uma premissa instigante, o filme pouco ousa em seu desenvolvimento. O roteiro se mostra limitado, segue caminhos previsíveis e não aprofunda suficientemente os conflitos, os personagens ou as possibilidades dramáticas da história.

Ambientada na pequena Hydesville, no ano de 1848, a obra acompanha o conhecido caso das irmãs Fox, figuras importantes e frequentemente mencionadas na história do Espiritismo moderno. As jovens afirmavam ouvir ruídos misteriosos dentro de sua residência e diziam estabelecer contato com espíritos por meio de uma sequência de batidas, utilizada como uma espécie de código de comunicação. A direção fica a cargo do brasileiro Wagner de Assis, conhecido por outras produções ligadas à temática espírita, como “Nosso Lar” (2010) e “Kardec” (2019). No elenco, Jamie Hughes e Marie McHugh ajudam a dar vida às irmãs Fox e se destacam pela entrega e pela sintonia apresentadas em cena.

Wagner também assina o roteiro, um dos aspectos que mais pode dividir opiniões. A narrativa é intrigante e apresenta bons momentos, mas sua condução excessivamente contida impede que essas passagens se desenvolvam com naturalidade. Em diversos momentos, parece agir contra o próprio potencial, interrompendo situações que poderiam ganhar maior força dramática e aprofundamento. Como consequência, a obra pouco surpreende e explora de maneira superficial um tema que oferecia inúmeras possibilidades. Falta dramatização, intensidade e coragem para avançar além do que já é conhecido, o que faz com que o filme entregue menos do que sua interessante premissa prometia. Outra questão problemática está na forma como o filme apresenta a psicografia como uma prática utilizada por uma das irmãs. Essa escolha não corresponde aos relatos históricos, e o inserir como parte da experiência das irmãs, o roteiro se distancia dos acontecimentos que deram origem ao caso.

A fotografia de Janice D’Avila é um dos aspectos mais competentes da obra. A diretora de fotografia constrói planos muito bem pensados e utiliza movimentos de câmera que dialogam com a narrativa e colaboram para a atmosfera de suspense. O trabalho de cores também merece destaque, especialmente pela maneira como valoriza o clima de época e reforça a tensão presente nas cenas. A iluminação é sensacional e cria, sobretudo nas sequências internas e noturnas, a impressão de que os ambientes são iluminados quase exclusivamente por velas. Esse cuidado confere maior realismo às imagens e contribui diretamente para a imersão do espectador naquele universo.

A direção de arte realiza um trabalho competente na construção dos cenários, figurinos e adereços, contribuindo para a ambientação histórica da narrativa. Apesar disso, percebe-se certa falta de variedade visual em alguns momentos, fazendo com que determinados espaços e composições pareçam repetitivos. O principal problema, entretanto, está na maquiagem, especialmente nas sequências que exigem o envelhecimento das personagens. O resultado é pouco convincente, artificial e tecnicamente mal executado, tornando-se um elemento de distração e comprometendo a credibilidade das cenas.

Em síntese, “As Irmãs Fox”, mais nova obra de Wagner de Assis, é um filme que mantém o padrão apresentado pelo diretor em seus trabalhos anteriores. Não se trata de uma produção exuberante ou particularmente ousada, mas de uma experiência que é boa dentro do que propõe. Seus principais problemas estão no roteiro pouco desenvolvido, que não explora plenamente a riqueza do tema, e em algumas escolhas da direção de arte e da maquiagem. Em contrapartida, a obra se destaca pelo excelente trabalho de fotografia, responsável por construir uma atmosfera envolvente e valorizar visualmente a narrativa. Apesar de suas limitações, o resultado é competente e consegue despertar o interesse do espectador.

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