Crítica: A Empregada

Crítica: A Empregada

“A Empregada” é a adaptação de um best-seller da escritora Freida McFadden. O livro homônimo, de grande sucesso, chega ao cinema surpreendendo os fãs que não esperavam ver a história nas telas. Millie, uma jovem desempregada e na condicional, se candidata a uma vaga na casa de uma família rica. Tudo parece perfeito no novo trabalho, mas, com o tempo, ela tem noção da furada em que se meteu, se vendo presa naquele mundo que não lhe pertence.

A história fala sobre aparências, sobre as mentiras que são passadas aos outros. Aborda principalmente o fato de que as coisas não são o que parecem. Fala sobre falsidade e trabalha a ideia de que cada um tem uma história escondida. Muitas vezes, o mal pode estar naquilo que se vende como perfeito. Carregando a marca do diretor, o filme tem uma importância feminina, e são Sydney Sweeney (Millie Calloway) e Amanda Seyfried (Nina Winchester) que conduzem e dividem o protagonismo na obra. As atrizes entregaram bons papéis, correspondendo ao que o filme pede. Seyfried consegue ser ainda melhor que Sydney, tendo mais momentos em que possa destrinchar seu papel. Vive uma personagem exagerada, mas de propósito. Nina é uma dualidade que a atriz mostra muito bem, Seyfried consegue ir do ódio ao amor com o público. Sydney entrega uma protagonista forte, apesar de um tanto apática, é quem dá o tom da obra, sendo por quem vemos todos os acontecimentos. O filme apela para o uso do corpo da atriz para cenas carnais que são um tanto desnecessárias. Já Brandon Sklenar (Andrew Winchester) é totalmente o oposto da esposa. O ator quebra o coração do público, indo no caminho inverso de Nina.

O que parece ser apenas uma história despretensiosa e cômica, na verdade, fala sobre muitos temas sensíveis e que infelizmente são vistos com frequência na sociedade. “A Empregada”, trata de violência doméstica, abuso psicológico, manipulação, questões trabalhistas e empoderamento feminino. Tudo feito com sabedoria, sem ser massivo ou de uma forma que contraste com o estilo da obra.

Ao longo de suas 2 horas e 11 minutos, o filme flerta, em quase todo o seu caminhar, entre o romance e o suspense/mistério. E a grande questão é, até certo ponto, ficar nessa corda bamba, tentando explorar os momentos mais puxados para um gênero, mas ainda assim querendo ser outro. O filme parece querer agradar ambos os lados, mas acaba se atrapalhando.

É notória e necessária a virada de chave que a história tem. A obra ganha gás, se transformando completamente, se fazendo mais presente, mais forte, e mudando até seu ritmo. Assume de vez a ideia de suspense. Só que acaba sendo muito corrida com sua trama, para enfim, chegar ao momento que salva a obra.

A fotografia de Jhon Schwartzman é sóbria e realista. Apresenta momentos de simetria, momentos que trabalham o psicológico e sabe cumprir seu papel. O diretor faz boas escolhas de planos e traz até como referência entrevistas documentais. Logo no início, na cena de Millie conversando com a mulher que seria sua futura patroa, vemos claramente essa ligação.

No todo, o roteiro sem dúvidas, é um dos pontos que mais desagrada na obra. Deixa coisas em aberto, esquece pontos que ele mesmo traz, não aprofunda personagens, no final precisando se autoexplicar para fazer sentido. A obra tem grande potencial, mas deveria ter sido trabalhada de uma forma diferente. Falta tratar as coisas com mais sutileza, fazer com que o mistério seja alimentado pelos detalhes que são deixados. O diretor Paul Feig trabalha de uma forma corrida, cria situações forçadas, com coisas mudando sem serem explicadas ou acontecendo simplesmente para ir a favor da trama. Muitos acontecimentos são totalmente esperados e não surpreendentes; em poucos minutos de filme, o espectador já consegue deduzir o caminhar da história.

Concluindo, temos uma obra que pode dividir os fãs. Funciona, tem seus momentos, mas está longe de ser algo perfeito. É divertido, tira algumas risadas, tem boas reviravoltas, um pouco de romance e mistério. “A Empregada” é prático, foge de ser entediante, e graças a seu enredo, não é de todo mal.

NOTA FINAL

3/5

Autor: Vinycius Rodrigues

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1 comentário

comments user
Helena Monsores

Muito boa a visão.

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