Um dos maiores problemas do gênero do terror nas últimas décadas é que parece que tudo já foi feito, então o que os estúdios fazem geralmente é jogar cenas aleatórias com um monte de “jump scare” cada vez mais manjados e diálogos simples e repetitivos. De vez em quando, alguém vem e traz uma inovação, dando um novo sopro de vida ao estilo. E se tem um nome que consegue fazer isso repetidas vezes é James Wan (Invocação do Mal, Jogos Mortais), e essa métrica se repete em Maldição da Múmia (The Mummy), que tem seu nome na produção. Excetuando a praxe de que todo filme de terror tem que ter um susto inicial para captar a atenção da audiência. Maldição da Múmia, após cumprir esse protocolo, desvia do óbvio e começa a pegar outros caminhos.
Evita o terror barato e vai construindo a sua história aos poucos, algo bem ousado para os espectadores imediatistas da atualidade, mas que no filme, dá algumas bases e será recompensador lá na frente. A originalidade passa pela origem do “monstro” também e é mais um ponto positivo do filme, não é só visual, a história também é instigante. Mas verdade seja dita, a originalidade vem de ao invés de cuspir uma história rasa, os idealizadores foram beber em águas já consagradas na indústria para montar o longa. Seja no estilo inicial um pouco lento para dar fundamento aos molde de O Exorcista (William Friedkin 1973), seja a personagem feminina matriarcal ser uma mulher de aparência frágil, simples e com roupas sóbrias como em O Iluminado (1980 Stanley Kubrick) e grande moda do terror no início século que ainda dá as caras de vez em quando que é o estilo “found footage” quem tem seu maior expoente em um filme do século xx, A Bruxa de Blair (Daniel Myrick e Eduardo Sánchez 1999).
Essa colcha de retalhos recheada de cenas viscerais bem inspiradas em um crescendo nojento que prende a atenção e diverte muito. Diverte tanto ao ponto de a tal da suspensão de descrença fazer o espectador engolir o quanto alguém pode passar em situações até se mancar que aquilo não é normal. Quanto ao elenco, terror geralmente não exige muito, mas destaco o carisma da jovem Maud Cannon (Billie Roy, série The Waterfront) e Larissa Cannon (Laya Costa, Um Amor 2023), que entrega bem como uma mãe fragilizada, mas dedicada ao máximo.
No mais é aproveitar as duas horas e quatorze minutos, dos quais o terceiro ato é recheado de cenas bem elaboradas, diferentes nojentas de terror gore, que mostram que o gênero ainda tem o que entregar, em um desfecho que é bem lógico e por isso também palatável, pois não se rebaixa para entregar mais um final insípido e com um sustinho final, que é comum aos roteiros preguiçosos.

Maldição Da Múmia (2026)
Duração Maldição Da Múmia (2026) Direção Lee Cronin Roteiro Lee Cronin Elenco Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy Onde assistir Ver plataformas no JustWatchCompartihar:















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