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Crítica: Street Fighter (2026).

O novo filme de Street Fighter de Kitao Sakurai (Bad Trip, 2021), se fôssemos falar dele em termos futebolísticos, poderíamos dizer que o longa chega aos cinemas com o “regulamento debaixo do braço”. Está mais do que provado em praticamente…

Crítica: Street Fighter (2026).

O novo filme de Street Fighter de Kitao Sakurai (Bad Trip, 2021), se fôssemos falar dele em termos futebolísticos, poderíamos dizer que o longa chega aos cinemas com o “regulamento debaixo do braço”.

Está mais do que provado em praticamente todos os setores do entretenimento que a nostalgia e o saudosismo vendem muito bem. Então, ao pegar o primeiro grande nome em jogos de luta na história e uma marca forte até hoje, o primeiro acerto do filme foi a escolha da ambientação. Street Fighter tem mais de 70 jogos (!) lançados desde 1987 e um plantel com mais de 90 lutadores, mas a escolha da trama se passa em 1993, a Era de Ouro da franquia com Street Fighter 2 (lançado em 1991).

E para não tentar reinventar a roda a história é bem simples: um torneio organizado por um vilão e lutadores com seus motivos pessoais para estar nesse torneio, mais uma vez o mais simples possível em suas histórias também. Simples até demais para quem não conhece nada de Street Fighter, aliás, quem não conhece nada do game, só vai aproveitar as ótimas coreografias das lutas e talvez reclamar dos golpes que ignoram as leis da física.

Feito para Fãs e Homenagem aos Fliperamas

Porém, mais uma vez digo que o filme é feito para quem joga ou jogou Street Fighter desde os anos 90, quando era a máquina mais disputada nos extintos fliperamas. Para esse telespectador, tudo já está entendido, as origens dos personagens e suas buscas pessoais, que foram reduzidas a frases curtas na tela. A motivação da Chun-Li (Calina Liang, Gênios da Trapaça, 2024), por exemplo, que é vingar a morte do pai, notoriamente sabida há 35 anos pelos gamers, fica entendida em um curto flashback.

Flashbacks, são outro ponto interessante do filme. São feitos em ótimas animações, que fazem lembrar do excelente Street Fighter II: O Filme (Gisaburo Sugii, 1996). Já no início, há uma resumo dos eventos do torneio anterior, que é Street Fighter, o primeiro game de 1987, base da história de Ryu (Andrew Koji, Trem-Bala), um dos protagonistas ao lado de Ken Masters (Noah Centineo, Adão Negro, 2022).

Não há o que se estender em atuações, pois toda a produção é bem canastrona. O filme sabe que não tem que se levar a sério e não tenta em nenhum momento, em contrapartida sobram afagos aos fãs da franquia uma cena após a outra em forma de referências. Sério, o filme todo soa como uma grande referência e nisso a obra supera e muito muitas adaptações de games existentes.

Fidelidade aos Golpes e Caracterização

Ao optar por não tentar mudar a essência da obra original e com isso tentar acenar para o público que não conhece e acabar ficando num insosso meio termo, Street Fighter não tem um pingo de vergonha de si mesmo. Ao contrário, se orgulha e mostra na tela os golpes que fizeram seus jogos famosos, desde os principais Hadouken, Shoryuken e Tasumaki Senpukyaku de Ryu e Ken, com os personagens gritando os golpes, passando pelos Super Zutsuki e Golpe das Cem Mãos de E. Honda (Hirooki Goto, Lutador Japonês), o temível “pilão” do Zangief (Olivier Richters), ou a “gilete” do Guile (Cody Rhodes, Corra Que a Polícia Vem Aí, 2025), até o Spinning Bird Kick da Chun-Li.

Nota-se um trabalho de pesquisa digno de fã para compor algumas cenas do filme, como o Ryu gingando de frente para a tela exatamente igual a introdução de Street Fighter 2: Turbo, de 1992.

Na caracterização também mandaram muito bem:

  • Dhalsim (Vidyut Jammwal, Madharaasi, 2025) está irrepreensível.
  • Balrog (Fifty Cent, Os Mercenários 4, 2023), que curiosamente o personagem é inspirado no Mike Tyson, que não tem nada haver com Fifty, mas encaixou bem demais.
  • Blanka (Jason Momoa, Supergirl, 2026), para os brasileiros, com caracterização e golpes fidedignos, com uma pitada de capoeira.

Há mais personagens que, mesmo que com pouco tempo de tela e nenhum background, estão esteticamente bem representados.

O Calcanhar de Aquiles

Mas o calcanhar de Aquiles do filme está em um dos seus personagens centrais que é M. Bison (David Dastmalchian, Entrevista Com o Demônio, 2023). Bison é pura maldade, músculos e violência nos games e Dastmalchian não passa essa vibe, além de ser muito afetado pela comicidade que permeia todo o filme.

Veredito

Street Fighter, faz um “feijão com arroz”, que no final das contas se sai bem e se esforça para entregar na telona o que os jogos tem de melhor e consegue. Aposta alto numa possível continuação, que se não vier vai esvaziar e muito o sentido de existência do primeiro e apesar de ter entregado muita coisa legal nos trailers e no maciço material de marketing, ainda sobraram boas surpresas, como as animações e tudo que envolve Akuma (Roman Reings).

  • Leonardo Valério

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