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Crítica: Overman

Over man” (2026) estreia no Festival do Rio como uma das grandes surpresas da edição. Sem despertar grandes expectativas inicialmente, o longa brasileiro surpreende positivamente ao explorar o universo dos filmes de super-heróis por meio de uma comédia escrachada, irreverente…

Crítica: Overman

Over man” (2026) estreia no Festival do Rio como uma das grandes surpresas da edição. Sem despertar grandes expectativas inicialmente, o longa brasileiro surpreende positivamente ao explorar o universo dos filmes de super-heróis por meio de uma comédia escrachada, irreverente e repleta de humor ácido.

O longa é baseado nos quadrinhos do super-herói homônimo, criado em 1998 pela cartunista Laerte Coutinho. Originalmente publicadas no jornal Folha de S.Paulo, as histórias posteriormente ganharam publicações próprias e, agora, chegam pela primeira vez às telas do cinema.

A trama acompanha Overman, um super-herói brasileiro alcoólatra, egocêntrico e completamente desgastado por sua rotina de combate ao crime. Longe da imagem idealizada dos heróis tradicionais, o protagonista apresenta uma personalidade contraditória e autodestrutiva, tornando-se uma sátira dos arquétipos consagrados pelo gênero.

A direção fica a cargo de Tomás Portella, responsável por produções como “Carga Máxima” (2023) e “Operações Especiais” (2015). O cineasta acrescenta mais uma comédia ao seu repertório, demonstrando segurança e clareza em suas escolhas criativas. Sua condução revela uma direção consciente da proposta que pretende apresentar ao público, sem buscar uma sofisticação estética desnecessária. O longa não recorre a soluções simplistas por comodismo ou falta de ambição, mas assume deliberadamente uma estética despojada e escrachada, que dialoga diretamente com o humor e a identidade da obra. Portella compreende o universo que está construindo e utiliza a linguagem cinematográfica a favor da narrativa, mostrando que a simplicidade, quando fruto de uma escolha consciente, não deve ser confundida com falta de qualidade ou cuidado técnico.

A fotografia de André Modguno apresenta bons enquadramentos e movimentos de câmera bem executados, contribuindo diretamente para a construção do humor que a obra busca estabelecer. Embora não seja uma fotografia extraordinária ou que apresente grandes inovações estéticas, cumpre sua função com competência.

A direção de arte, por sua vez, demonstra sintonia com as escolhas da direção, contribuindo para a construção de um universo que não pretende reproduzir fielmente a realidade, mas explorá-la por meio da sátira e do exagero. Nesse sentido, a produção assume uma estética propositalmente caricata, brincando com elementos visuais, cenários e escolhas que, em uma obra de proposta realista, poderiam ser interpretados como erros ou inconsistências. Entretanto, dentro do universo de Overman, essas decisões encontram justificativa na linguagem adotada, reforçando a identidade cômica do longa.

Em síntese, “Overman” (2026) surpreende positivamente, diverte e cumpre com competência aquilo a que se propõe. Não se trata de uma obra genial ou de um filme destinado a marcar a história do cinema, mas de uma produção brasileira de super-heróis que consegue construir uma identidade própria, sem a necessidade de reproduzir as fórmulas consagradas pelas grandes produções hollywoodianas.

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