A Playground Games, mundialmente reconhecida pelo sucesso contínuo da franquia de corrida Forza Horizon, enxergou no reboot de Fable uma oportunidade de testar os próprios limites. Segundo o cofundador do estúdio e diretor do RPG, Ralph Fulton, a mudança radical de gênero foi motivada, em parte, pelo orgulho de provar que a equipe poderia entregar excelência em outras áreas da indústria de jogos.
Em entrevista recente ao jornal The Guardian, Fulton detalhou a transição do estúdio após consolidar seu nome nos jogos de corrida de mundo aberto. “Acho que houve um pouco de orgulho em provar que poderíamos ser bons em um gênero diferente”, afirmou o diretor.
Apesar da mudança do automobilismo para a fantasia, a escolha de assumir o comando de Fable teve um ponto de contato estratégico. O estúdio aproveitou sua vasta experiência na criação de grandes mapas exploráveis. “Fazia sentido não nos afastarmos muito de Horizon. Este projeto definitivamente não teria carros, mas mundos abertos pareciam uma área em que tínhamos habilidades transferíveis”, explicou Fulton.
Fugindo dos clichês de fantasia
O retorno da clássica franquia também busca se distanciar dos padrões convencionais de RPGs medievais. O diretor revelou que a equipe estava “um pouco entediada com os tradicionais clichês de fantasia” e com a maneira estereotipada como os personagens costumam falar nessas ambientações.
Para modernizar a abordagem, o novo Fable aposta em um idioma e fraseado mais contemporâneos. A decisão impactou diretamente a escalação do elenco, que conta com nomes da comédia britânica, como Richard Ayoade, Natasia Demetriou e Matt King. Segundo Fulton, esse tom mais moderno e satírico de voz foi fundamental para que esses atores se encaixassem perfeitamente na obra.
Foco em um final impactante
Enquanto a indústria dos videogames frequentemente observa métricas indicando que apenas cerca de 25% dos jogadores chegam ao final dos títulos longos, a Playground Games optou por ir na contramão. O estúdio tomou a decisão de investir pesado na conclusão do RPG, recusando-se a focar apenas no começo da jornada.
O diretor assegurou que o jogo entregará um desfecho de alta qualidade, independentemente das estatísticas do mercado de que muitos podem não vê-lo. “O mais importante é que nós acertamos no final (…) Nós buscamos a qualidade de forma implacável aqui”, declarou Fulton.
Para a Playground, o longo ciclo de desenvolvimento de mais de uma década só foi possível porque a franquia é tratada internamente como essencial para o DNA do ecossistema Xbox.
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