
A seleção de uma casa na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, realizada logo aos 11 anos, é um momento que define a trajetória de qualquer bruxo, mas frequentemente gera debates acalorados entre os fãs da saga Harry Potter. Muitos questionam se o Chapéu Seletor cometeu equívocos, baseando-se em uma visão muitas vezes estereotipada das quatro casas, onde a Grifinória é reduzida à coragem heroica e a Sonserina ao berço da vilania.
No entanto, conforme explorado pelas fontes, o Chapéu Seletor se recusa a admitir erros, defendendo que o tempo sempre revela a correção da escolha, seja através de atos grandiosos ou de comportamentos cotidianos que revelam a verdadeira essência do aluno que estudará em Hogwarts.
Um dos casos mais controversos é o de Pedro Pettigrew, frequentemente apontado como um erro por sua covardia e traição. Contudo, é necessário compreender que a coragem, marca da Grifinória, nem sempre se manifesta de forma positiva; Pettigrew demonstrou uma forma distorcida de audácia ao forjar a própria morte e incriminar um amigo para sobreviver, provando que mesmo a vilania pode habitar a casa dos leões. Da mesma forma, Gilderoy Lockhart é muitas vezes associado à ambição da Sonserina, mas sua essência residia em uma inteligência voltada para o proveito próprio e para o brilho acadêmico, o que justifica sua permanência na Corvinal, apesar de ter usado seus talentos para roubar histórias e apagar memórias.
A complexidade humana dos personagens criados por J.K. Rowling impede que eles sejam definidos por apenas uma característica. Hermione Granger, por exemplo, embora extremamente inteligente, não pertence à Corvinal devido à sua teimosia e apego rígido ao que está escrito nos livros, uma postura que contrasta com a mente aberta e questionadora típica dos corvinos. Por outro lado, personagens como o Professor Quirrell exemplificam o lado obscuro da Corvinal; sua busca pelo conhecimento e sua mente aberta o levaram a aceitar ideologias perigosas de Voldemort sobre o poder, mostrando que o talento e a curiosidade podem ser caminhos para a queda.
Até mesmo personagens como Severo Snape e Neville Longbottom desafiam as percepções superficiais. Snape, embora profundamente sonserino em sua astúcia e ambição, demonstrou uma coragem excepcional como espião, o que leva muitos a pensarem que ele deveria ser da Grifinória, embora essas qualidades não sejam exclusivas de uma única casa. Já Neville, que inicialmente temia não estar à altura da Grifinória e pediu para ser enviado para a Lufa-Lufa, acabou provando que a coragem é um aprendizado e um compromisso com os próprios ideais, consolidando-se como um verdadeiro grifinório.
Em última análise, as casas de Hogwarts não são caixas fechadas, e todos os personagens possuem traços que poderiam levá-los a diferentes destinos. A humanidade desses bruxos reside justamente em suas falhas, contradições e evoluções ao longo do tempo. Como as fontes sugerem, as pessoas mudam e aprendem, e o fato de possuírem características de múltiplas casas apenas as torna seres humanos mais completos e reais, reforçando que, no universo de Harry Potter, as escolhas do Chapéu Seletor refletem traços dominantes que, no fim, sempre encontram seu propósito.
Fonte: Caldeirão Furado
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