Decifrando o Multiverso DC: Uma Jornada Pelos Mundos Paralelos

Decifrando o Multiverso DC: Uma Jornada Pelos Mundos Paralelos

O conceito de multiverso, que pode gerar confusão mesmo entre os leitores mais dedicados de quadrinhos, é uma das ideias mais fascinantes no universo da DC Comics. Em sua essência, o multiverso é a hipótese de múltiplos universos coexistindo em paralelo – uma teoria científica ainda não comprovada em nosso mundo, mas uma realidade fundamental para os super-heróis da DC. Para ajudar a desvendar essa complexidade, a DC lançou um mapa do multiverso, uma criação de Grant Morrison que serve como um guia essencial.

Inicialmente, a DC explorou a existência de terras infinitas, universos distintos que ocupavam o mesmo espaço e tempo, separados apenas por frequência e vibração. A criação de um novo mundo poderia ser tão simples quanto uma escolha diária; por exemplo, se você virasse à direita em um cruzamento em vez de à esquerda, existiria um universo onde essa outra escolha foi feita, gerando diferentes consequências.

Essa vasta tapeçaria de mundos foi drasticamente alterada em 1985 com o evento conhecido como Crise nas Infinitas Terras. O vilão Antimonitor, vindo de um universo de antimatéria, tentou destruir todo o multiverso de matéria, resultando em um combate que aniquilou quase todos os universos. Os mundos que restaram foram mesclados, dando origem a um único e novo universo, batizado de Nova Terra.

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A Nova Terra permaneceu como o único mundo por um tempo considerável, até 2005, quando a Crise Infinita trouxe uma nova transformação. Durante este evento, o Superboy-Prime buscou restaurar o multiverso para encontrar seu mundo natal e conseguiu, mas não com infinitos universos. Em vez disso, 52 terras distintas foram criadas, compondo o multiverso atual da DC. Essa configuração de 52 universos é a que prevalece nas HQs, embora possa haver variações com novas descobertas.

O mapa do multiverso, baseado nesses 52 universos, revela uma estrutura intrincada. No centro de tudo, encontramos a Casa dos Heróis – o antigo lar dos Monitores – e a Pedra da Eternidade, lar do Mago Shazam. As 52 terras paralelas existem em um único lugar, desafiando a lógica de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, pois aqui eles podem, vibrando em frequências diferentes. Um exemplo clássico disso é o Flash, que consegue atravessar paredes ao vibrar seu corpo em supervelocidade.

Os mundos são representados como dentro de uma grande esfera, a Esfera Planetária, que contém as 52 terras. A “cola” que une tudo, mantendo a ordem e impedindo que esses mundos colidam, é chamada de Sangria. É também através da Sangria que um indivíduo pode viajar de um universo para outro. Envolvendo a Sangria, encontra-se a Força de Aceleração, a energia que impulsiona os universos e concede poderes a personagens como o Flash.

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Acima da Esfera Planetária está a Esfera dos Deuses, o domínio das divindades. Tudo a partir desta esfera para cima existe de forma única, aplicável a todos os universos. Aqui residem os deuses menores, o Paraíso e o Inferno, e em uma das camadas mais altas, o Quarto Mundo, com Nova Gênesis do lado da ordem e Apokolips do lado do caos. No patamar mais elevado da Esfera dos Deuses estão o Sonho e o Pesadelo, e todo o reino dos Perpétuos.

Entre a Esfera dos Deuses e a próxima, há o Limbo, um local para personagens, mundos, deuses ou qualquer conceito que ainda não foi escrito ou que foi descartado e esquecido. A esfera seguinte é a Esfera dos Monitores, onde vivem seres cósmicos responsáveis por vigiar cada universo. O Monitor Primordial foi o criador desses seres, gerando o primeiro Monitor que surgiu na Crise nas Infinitas Terras. Após a Crise Infinita, 52 Monitores apareceram, um para cada novo universo, todos baseados na essência do Monitor anterior. A função dos Monitores é observar e não interferir, agindo como vigilantes de todos os aspectos do multiverso. Atualmente, a maioria foi extinta, deixando Nix Uotan como o único Monitor sobrevivente.

Todo esse complexo de esferas é envolto pela Muralha da Fonte, um local onde deuses e entidades mortas há muito tempo retornam, pois a morte os leva de volta à Fonte. Além da Muralha da Fonte, existe apenas A Fonte – o criador de tudo, o desconhecido, também chamado de A Presença – a mão divina que gera tudo o que conhecemos no universo DC.

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Curiosamente, podemos entender esse conceito de multiverso da DC de uma forma metafórica, aplicando-o ao nosso próprio mundo. Se considerarmos a DC Comics como um multiverso em si, A Fonte, ou A Presença, é a própria DC: os roteiristas e desenhistas que criam tudo no papel. Esse papel, por sua vez, seria o Monitor Primordial, o local onde residem todos esses mundos e personagens. Os Monitores seriam os editores da DC, garantindo que tudo seja feito corretamente, mas permitindo que os roteiristas sigam seus próprios caminhos. O Limbo, então, poderia ser o lugar onde roteiristas e desenhistas fazem seus rascunhos e testes. O que é aprovado passa para os deuses, que representam a própria criatividade, resultando finalmente nas HQs da DC, sejam elas parte da cronologia oficial ou de terras paralelas.

Contudo, além dos mundos de heróis e histórias conhecidas, existe também o Multiverso das Trevas, um lado oposto e obscuro do nosso multiverso. Este é o reino dos pesadelos e das histórias mais sombrias, aguardando para arrastar aqueles que se aventuram em suas profundezas.

É importante notar que, além do conceito de multiverso, a DC também aborda o Hipertempo, que engloba todas as linhas do tempo dentro de cada universo, mas essa é uma explicação que fica para outro momento. O Multiverso DC, em sua constante evolução e complexidade, continua a ser um campo fértil para a imaginação e para a exploração de infinitas possibilidades narrativas.

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