Crítica: Instinto Fatal

Crítica: Instinto Fatal

“Instinto Fatal” é um Thriller mal trabalhado, genérico e que até tenta se apoiar em uma atmosfera de suspense psicológico, mas falha em praticamente todos os seus pilares narrativos. Com um roteiro frágil e previsível, o longa pouco se preocupa em aprofundar suas personagens ou justificar suas motivações, o que torna seus conflitos superficiais. Muitos acontecimentos soam falsos, ou no mínimo, pobres em construção dramática, comprometendo a credibilidade da narrativa. O suspense raramente se sustenta, e a tensão parece mais sugerida sexualmente do que dramaturgicamente.

O longa acompanha Evie, uma jovem que viaja para a Ilha de Malta com a intenção de passar um período na casa do padrasto, buscando uma espécie de afastamento de sua antiga realidade. Logo ao chegar, conhece Diana, vizinha enigmática e que demonstra um interesse imediato e intenso pela mulher. Diana, movida por desejos que vão além de uma simples amizade, passa a seduzi-la com segundas intenções claras: há algo que ela quer, e Evie parece ser peça fundamental em seu plano. No entanto, à medida que a trama avança, fica evidente que a protagonista não é tão ingênua quanto aparenta.

A direção de Neil Marshall deixa a desejar e evidencia uma condução excessivamente protocolar. Conhecido por trabalhos mais viscerais e estilisticamente marcantes, como “Abismo do Medo”, “Westworld” e “Game of Thrones”, o diretor opta por um “feijão com arroz” muito básico, sem personalidade ou ousadia visual. Em vez de explorar a tensão psicológica com criatividade, Marshall entrega planos pouco inventivos e uma mise-en-scène quase televisiva (o que lembra muito novelas turcas), que não contribui para ampliar o impacto dramático da história. A câmera raramente assume um papel narrativo mais ativo; até apresenta ideias interessantes em alguns momentos, como o uso da primeira pessoa, mas não cria uma atmosfera e tão pouco reforça suas nuances.

Outro ponto em que a narrativa deixa a desejar é na construção de sua protagonista. Evie (Anna-Maria Sieklucka), não é uma personagem cativante e tampouco consegue sustentar o peso dramático da história. Não consegue ter profundidade suficiente para se justificar, falta-lhe passado e principalmente, um arco emocional consistente. Não há altos e baixos bem definidos, conflitos internos elaborados ou transformações significativas que a façam evoluir ao longo da trama. Como resultado, sua jornada soa plana e pouco envolvente. Acaba sendo extremamente rasa, funcionando mais como peça de engrenagem do roteiro do que como uma figura humana convincente.

O que move a trama são assassinatos, cometidos por uma figura misteriosa, figura essa que deveria conduzir a obra e sustentar a tensão. Só que, acaba sendo o assassino mais um utensilio pouco desenvolvido e mal trabalhado, a ideia de instaurar a dúvida sobre sua identidade até funciona, mas por pouco tempo. Sendo o personagem algumas vezes até esquecido. A personagem Diana (Charlotte Kirk) é assim como a protagonista, mal trabalhada, ainda consegue ter mais presença do que Evie, mas como tudo nesse filme, é desperdiçada.

Em síntese, “Instinto Fatal” é mais um thriller genérico e extremamente previsível, com um mistério que, antes mesmo da metade do filme, já pode ser facilmente compreendido pelo espectador mais atento. A narrativa não consegue sustentar suas próprias promessas e se apoia em artifícios óbvios, que enfraquecem qualquer tentativa de surpresa.


O roteiro é recheado de cenas desnecessárias e momentos pouco criativos, que em alguns pontos chegam a beirar o ridículo. A protagonista é mal trabalhada: carece de camadas, de passado bem construído e de motivações convincentes. Falta carisma e complexidade, o que dificulta qualquer envolvimento emocional com o público.

O grande problema do filme não está necessariamente em sua técnica, mas sim na fragilidade de sua história e na superficialidade de seus personagens. Seu desfecho, embora tente apostar na tensão e em momentos chocantes, é mal explicado e dramaticamente frágil, deixando mais lacunas do que reflexões.

“Seu desfecho, embora tente apostar na tensão e em momentos chocantes, é mal explicado e dramaticamente frágil, deixando mais lacunas do que reflexões.”
Vinycius Rodrigues
 Crítica: Instinto Fatal

Instinto Fatal (2025)

Duração 1h45m Direção Neil Marshall Roteiro Charlotte Kirk, Neil Marshall Elenco Zach McGowan, Anna-Maria Sieklucka, Charlotte Kirk, Cinzia Monreale, Antonella Axisa Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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