“Cara de um Focinho de Outro” é uma animação infantil extremamente bem realizada. Mais uma vez, a Pixar demonstra sua capacidade técnica impressionante, entregando um filme visualmente rico, com atenção minuciosa aos detalhes, designs de personagens muito bem pensados e uma ótima mistura de fantasia e emoção, com sensibilidade.
A narrativa acompanha Mabel (Piper Curda), uma jovem defensora dos animais, ela nutre um amor profundo por um ambiente natural que fez parte de sua história, mas atualmente corre risco. O prefeito, Jerry ( Jon Hamm), o arque inimigo da protagonista, quer a todo custo destruir o local sagrado de Mabel, em nome do progresso da cidade. Determinada a proteger o ambiente, a menina descobre uma tecnologia revolucionária, capaz de transferir sua mente para dentro de um robô em formato animal. A partir desse ponto, o longa ganha um tom inovador e instigante, com Mabel vivendo na pele de um castor e enxergando os animais mais profundamente.
O roteiro é bem trabalhado, com uma história inovadora e que em quase nenhum momento se torna cansativa ou com momentos excessivos. Muito pelo contrario, os arcos são bem desenvolvidos e fazem com que a trama surpreenda de forma positiva. A animação carrega muitas mensagens, fala de pertencimento, amizade, coexistência, e tem uma mensagem ecológica forte, mas que não perde a mão, não se tornando escancarada; sabe que é um filme para crianças e assim trabalha. Dosa humor, aventura e muitos momentos emocionantes, que tornam a experiência envolvente tanto para crianças quanto para adultos.
Os personagens são, sem dúvidas, o grande coração da obra, (não é de se esperar menos de um filme da Pixar). São eles quem sustentam o impacto emocional e dão profundidade à proposta do roteiro de Daniel Chong. Mabel tem uma carga dramática consistente, construída com delicadeza e sensibilidade. É multifacetada, alternando momentos de leveza e entusiasmo juvenil com cenas em que sua dor e frustração ficam evidentes. É essa dualidade que torna a história humana. Já o Rei George (Bobby Moynihan) surge como o parceiro perfeito. Representa apoio, estabilidade e, sobretudo, amizade verdadeira. Sua presença não apenas auxilia Mabel em sua missão, mas também contribui para equilibrar o tom dramático e muitas vezes hilário da obra. Juntos, ambos funcionam, como uma boa dupla.
O longa ainda brinca de forma inteligente com referências clássicas do cinema, sendo “Avatar” filme de James Cameron e “Tubarão” de Steven Spielberg, duas delas muito bem pensadas e que funcionam sabiamente dentro daquele universo.
Entretanto, conta com algumas falhas, sendo o antagonista uma delas, e não estou falando de Jery. O vilão, Titus (Dave Franco) poderia ter sido melhor explorado, tendo motivações que fossem um pouco além das genéricas, e que não funcionasse apenas como ferramenta para movimentar a história Outra questão problemática, está justamente no uso da tecnologia central da trama. Ela surge no momento mais conveniente possível, quase como uma solução milagrosa para protagonista. Fora que é utilizada sem consequências significativas, a trama as vezes até tenta aprofundar os “efeitos” que ela causa, mas é muito mostrada e deixado de lado.
Em síntese, a obra funciona muito bem dentro do que propõe, apesar de ser infantil, é um filme maduro e cheio de vida. É único, e tem tudo para se tornar um dos grandes sucessos da Pixar dos últimos anos. Vale muito a pena ser assistido, sendo um daqueles filmes de sair de coração quentinho. Com um final épico e comovente, a produtora mostra mais uma vez que sabe fazer animação e contar histórias.

Cara de Um, Focinho de Outro (2026)
Duração 1h45minDireção Daniel ChongRoteiro Jesse Andrews, Daniel ChongElenco Piper Curda, Bobby Moynihan, Melissa VillaseñorOnde assistir Ver plataformas no JustWatchCompartihar:















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