Crítica: Iron Lung

Crítica: Iron Lung

Iron Lung” é um filme de terror independente baseado em um jogo de videogame homônimo. O longa é protagonizado por Mark Fischbach, youtuber e influencer que se apaixonou pela narrativa ao fazer suas gameplays e decidiu comprar os direitos da obra para transformá-la em um filme. Mark demonstra uma atitude notável ao transformar sua paixão pela obra em um projeto concreto, investindo e participando ativamente de grande parte de sua produção; sendo ator, produtor, roteirista e diretor. O problema é que boa vontade e entusiasmo não são suficientes para sustentar um longa-metragem.

A história acompanha Simon (Mark Fischbach), um condenado que, em um universo apocalíptico, é obrigado como sentença a navegar em um velho submarino por um mar de sangue em busca de uma ossada. A premissa, é curiosa e carregada de potencial para um bom terror claustrofóbico e psicológico. No entanto, parece incapaz de explorar plenamente essa ideia, transformando um conceito intrigante em uma experiência que pouco prende a atenção.

A obra opta assumidamente por não mostrar muito seu próprio universo, evitando apresentar outros personagens, não contando toda a história de Simon, e reduzindo ao máximo qualquer tipo de explicação sobre aquele mundo. A intenção parece ser criar um mistério e uma atmosfera mais enigmática, mas o resultado acaba sendo o oposto do esperado. Em vez de instigar curiosidade, essa falta de desenvolvimento torna a história confusa e pouco cativante, deixando a sensação de que o filme simplesmente não sabe muito bem o que fazer com o universo que criou.

Os acontecimentos demoram demais para engrenar, e a narrativa acaba se tornando extremamente arrastada. O filme se prende quase o tempo todo à mesma situação, sendo o mesmo ambiente, o protagonista pouco cativante e quase nenhum desafio que realmente movimente a trama. Para um conceito que poderia funcionar bem em uma experiência curta e mais intensa, só que a decisão de estender a história por 2h05m soa exagerada e cansativa.

O filme aposta bastante no uso de efeitos práticos e, dentro de suas limitações, até consegue trabalhar de forma competente com o baixo orçamento que possui. Não sendo seu grande problema a técnica, mas sim sua narrativa e o desenvolvimento. É perceptível o esforço da produção em encontrar soluções criativas para dar vida à proposta visual da obra; a construção física do submarino e o uso de tantos litros de sangue falso por exemplo. Mesmo com alguns acertos nesse aspecto técnico, esses recursos não são suficientes para compensar as fragilidades e os excessos.

Outro grande problema está na questão sonora, algo que, muitas vezes, costuma ser um dos maiores vilões de filmes experimentais. A mixagem som, especialmente nas falas, é frequentemente difícil de compreender, com diálogos abafados ou mal equilibrados. Isso prejudica bastante a experiência, pois além de já se tratar de uma narrativa lenta e minimalista, o espectador ainda precisa lidar com a dificuldade de entender o que está sendo dito em diversos momentos.

Em síntese, “Iron Lung” é um filme que foi muito bem vendido por Fischbach, que merece aplausos pela persistência e pela determinação em tirar o projeto do papel. No entanto, infelizmente, os elogios param por aí. A obra acumula vários problemas ao longo de sua duração: história embolada, drama pouco desenvolvido, um universo que quase não é explorado e um protagonista que dificilmente consegue despertar o interesse do público.

“No fim das contas, o que poderia ser uma adaptação curiosa e ousada, acaba se tornando uma experiência frustrante e bastante aquém do seu próprio potencial.”
Vinycius Rodrigues
 Crítica: Iron Lung

Iron Lung (2026)

Duração 2h 7m Direção Markiplier Roteiro Mark Fischbach, David Szymanski Elenco Mark Fischbach, Caroline Kaplan, Troy Baker Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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