Sete anos se passaram desde que o último episódio de Dragon Ball Super (DBS) foi ao ar, mas, apesar de ter tido recepções mistas, a saga do Torneio do Poder é inegavelmente uma das mais memoráveis, a ponto de mobilizar multidões para assistir ao seu desfecho. Muitos fãs confessam sentir falta do anime, mesmo aqueles que não o consideraram um sucesso. A razão para o impacto do Torneio do Poder reside, em grande parte, na tentativa de Super de replicar a fórmula de sucesso de Dragon Ball Z (DBZ) e do clássico, inserindo diversas referências e easter eggs que celebram o passado da franquia.
Desde os momentos mais mundanos até as batalhas épicas, a nostalgia permeia a saga.
No episódio 77, por exemplo, Goku, em sua profissão de agricultor, é ameaçado por ladrões e, ao ser baleado, agarra a bala e a devolve no bandido, uma cena que remete diretamente ao seu irmão Raditz, que fez o mesmo com um fazendeiro no primeiro episódio de DBZ. As transformações Saiyajin também trouxeram lembranças perigosas: quando Gohan, lutando contra Lavenda, se transforma em Super Saiyajin após ser envenenado, a transformação acelera a dispersão do veneno pelo seu corpo, exatamente como a forma Saiyajin acelerou a doença cardíaca de Goku durante a saga dos Androides (contra o 19).
Referências de Combate e Treinamento
Os guerreiros Z frequentemente repetiram táticas antigas. Durante o torneio de exibição, a luta entre Majin Buu e Basil incluiu um momento em que Buu ficou furioso e usou um golpe que amassou o rosto do oponente, algo que ele havia feito anteriormente com Kaioshin em
DBZ. Contra Topo, Goku tentou finalizar a luta usando o Kamehameha Blue combinado com a Transmissão Instantânea à queima-roupa, uma manobra idêntica àquela que usou para surpreender Cell. Outras habilidades peculiares reapareceram: Bergamo, ao enfrentar Goku, apresentava uma habilidade de absorver e crescer, lembrando a forma como Goku sobrecarregou e derrotou Yakon na saga Majin Buu.
O treinamento para o Torneio do Poder foi um festival de flashbacks. Gohan, ao treinar com Piccolo, reviveu a dinâmica de seu primeiro treinamento em DBZ, embora agora adulto. O treinamento também trouxe à tona a inocência do Dragon Ball clássico, com Gohan assando o rabo de um dinossauro, assim como fazia quando criança. Além disso, Gohan insistiu que seu pai lutasse a sério, ecoando o momento na Sala do Tempo onde ele precisou ser pressionado por Goku para alcançar o Super Saiyajin.
O Clássico e os Detalhes Escondidos
A série revisitou momentos do Dragon Ball clássico, focando em personagens como Tenshinhan e Mestre Kame. Mestre Kame e Tenshinhan se enfrentaram, e Tenshinhan usou o Shiam (crescimento de dois braços extras), enquanto Kame usou sua técnica de eletrificar o adversário, habilidades que foram vistas pela última vez na série clássica. Mestre Kame também revisitou seus costumes, aparecendo para se juntar ao grupo montado em um casco de tartaruga, seu método de transporte desde os tempos antigos, já que ele não sabe voar.
Detalhes menores também chamaram a atenção. A guerreira Cwei do Universo 4 tentou seduzir o Mestre Kame tirando parte de sua roupa para distraí-lo, uma clara referência ao que Hanfan fez com Nam no 21º Torneio de Artes Marciais. Quando Kame lançou seu golpe mais forte, ele citou o lema clássico da Escola Tartaruga: “se movimentem direito, aprendam direito, lutem direito, comam direito e descansem direito”, reconhecendo que seus discípulos (Goku e Kuririn) o ensinaram a não ter limites.
O Legado de Z e a Saga Namekusei
As referências às sagas mais sombrias de DBZ foram igualmente proeminentes. Quando o Freeza dourado foi apresentado, uma pequena cidade estilo Velho Oeste nas proximidades era a mesma vista quando Goku, Yamcha e Kuririn pararam antes do torneio da Velha Vovó Uranai.
A figura do Androide 17 foi ligada à saga Majin Buu. Embora 17 e Goku nunca tivessem se encontrado, 17 disse ter reconhecido a voz de Goku, pois ele a ouviu quando o Saiyajin pediu ajuda na saga Majin Buu para formar a Genki Dama. Além disso, quando um caçador espacial ameaça se explodir, Goku o agarra e o leva para o Planeta do Senhor Kaioh, assim como fez com Cell, mostrando que “a história está sempre se repetindo”.
Freeza, por sua vez, revigorou seu passado vilanesco. Ao mostrar sua forma 100% a Frost, ele usou uma transformação vista pela última vez na saga Namekusei, e ainda segurou Jimizo do Universo 2 pela cauda, replicando o que fez com Vegeta em Namekusei. Antes de atacar Jiren, Freeza também usou a frase: “Você merece correr pelas minhas mãos maldita”, a mesma que ele usou antes de receber o ataque final de Goku em Namekusei.
No clímax, até mesmo a morte foi revisitada: Vegeta usou um discurso de auto-explosão muito semelhante ao que fez na saga Majin Buu, um momento que Piccolo reconheceu e lembrou.
Ao final, os fãs puderam ver Goku e Vegeta treinando juntos, assumindo as mesmas posturas de quando lutaram pela primeira vez, no mesmo local. Dragon Ball Super tentou, assim, usar a familiaridade de seu universo para garantir o engajamento dos fãs, transformando o Torneio do Poder em uma celebração da história da franquia. A série agiu como um álbum de fotos de família, onde cada nova cena era uma reencenação, muitas vezes mais grandiosa, de um momento querido do passado.
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