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Review | Valor Mortis (PC)

A França napoleônica está tomada por uma praga que transforma pessoas em criaturas monstruosas. Em meio ao caos, um soldado retorna da morte para enfrentar os horrores que tomaram conta da Europa. Essa é a premissa de Valor Mortis, novo…

Review | Valor Mortis (PC)

A França napoleônica está tomada por uma praga que transforma pessoas em criaturas monstruosas. Em meio ao caos, um soldado retorna da morte para enfrentar os horrores que tomaram conta da Europa. Essa é a premissa de Valor Mortis, novo projeto da One More Level, estúdio conhecido pela série Ghostrunner. A proposta mistura o universo das guerras napoleônicas com elementos sobrenaturais e a estrutura tradicional dos Soulslikes, mas será que essa combinação consegue entregar algo realmente diferente?

Esta análise foi realizada a partir de uma chave de acesso de Valor Mortis fornecida pela Lyrical Games.

Um Soulslike com outra perspectiva

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Imagem: Divulgação/Lyrical Games.

A primeira coisa que chama a atenção em Valor Mortis é a escolha da perspectiva em primeira pessoa. Enquanto boa parte dos jogos do gênero aposta na câmera em terceira pessoa, a One More Level aproveita sua experiência com Ghostrunner para construir uma aventura em que espadas, armas de fogo e habilidades sobrenaturais são utilizadas diretamente diante dos olhos do jogador.

A mudança não é apenas estética. A perspectiva aproxima o jogador dos confrontos e contribui para a imersão em um mundo que aposta bastante em sua atmosfera. O combate combina ataques com armas brancas, esquivas, aparos e diferentes equipamentos de fogo, criando possibilidades interessantes durante os confrontos. A presença de habilidades especiais também amplia as opções, permitindo alternar entre diferentes ferramentas para lidar com os inimigos.

O sistema de parry é um dos elementos que mais se destacam. Quando os confrontos funcionam como deveriam, especialmente em duelos individuais, existe uma boa sensação de ritmo e recompensa. A leitura dos movimentos adversários e o momento certo de responder aos ataques fazem parte da experiência. Entretanto, nem tudo funciona com a mesma precisão. Alguns inimigos apresentam animações difíceis de interpretar, tornando determinados ataques pouco claros e certos encontros mais frustrantes do que desafiadores.

A câmera em primeira pessoa também exige atenção no posicionamento, principalmente quando vários adversários estão envolvidos. Sem a visão ampla de um jogo em terceira pessoa, controlar o espaço ao redor pode se tornar complicado. É uma escolha que dá personalidade ao combate, mas também traz problemas que precisam ser considerados.

Uma Europa tomada pelo horror

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Imagem: Divulgação/Lyrical Games.

Se existe um aspecto em que Valor Mortis parece encontrar sua identidade com mais facilidade, é na ambientação. A ideia de transformar a Europa napoleônica em um cenário de horror, dominado por uma doença misteriosa e criaturas grotescas, oferece uma combinação pouco convencional dentro do gênero.

A direção de arte contribui bastante para essa construção. Castelos, construções antigas, instalações militares e ambientes devastados ajudam a transmitir a sensação de um mundo em decadência. A variedade visual também evita que a aventura dependa de um único tipo de cenário, enquanto os detalhes espalhados pelos ambientes ajudam a contar histórias sem necessariamente recorrer a longas explicações.

O problema é que a qualidade desse universo nem sempre se reflete na narrativa. A premissa envolvendo Napoleão, a guerra e a epidemia tem potencial, mas o desenvolvimento dos acontecimentos não parece acompanhar a força da ideia inicial. Personagens secundários recebem pouco espaço, e boa parte das informações sobre o mundo é apresentada de maneira pouco envolvente.

Existe uma diferença entre construir um universo interessante e conseguir fazer o jogador se importar com ele. Valor Mortis parece entender muito bem a primeira parte, mas encontra dificuldades na segunda.

Exploração entre atalhos e caminhos confusos

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A estrutura segue vários dos princípios conhecidos dos Soulslikes. Os cenários possuem pontos de controle, caminhos alternativos, atalhos e itens escondidos que incentivam a exploração. Encontrar uma passagem que conecta diferentes partes de uma área pode ser bastante satisfatório, especialmente quando o percurso exige atenção aos detalhes do ambiente.

Também existem recompensas importantes para quem decide investigar os cenários. Amuletos e outros equipamentos podem oferecer vantagens relevantes, incentivando o jogador a procurar caminhos menos óbvios em vez de simplesmente seguir em direção ao próximo objetivo.

Por outro lado, o desenho das fases apresenta algumas inconsistências. Certas áreas são bastante lineares, enquanto outras podem se tornar confusas por apresentarem caminhos visualmente semelhantes. Sem um mapa para orientar a exploração, encontrar a passagem correta pode exigir retornos desnecessários e transformar a progressão em uma tarefa cansativa.

As sequências de plataforma também aproveitam parte da experiência da desenvolvedora com Ghostrunner. Elas ajudam a quebrar a repetição dos combates e dão mais dinamismo à exploração, embora não alcancem o mesmo nível de precisão e fluidez visto na série anterior do estúdio.

Um desafio que nem sempre é justo

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A dificuldade é outro ponto que merece atenção. Como esperado de um Soulslike, morrer faz parte da progressão, e os inimigos representam uma ameaça considerável. O jogador precisa aprender os padrões de ataque, administrar recursos e aproveitar as oportunidades para contra-atacar.

O problema está na consistência desse desafio. Alguns inimigos comuns podem causar danos elevados e apresentar movimentos difíceis de identificar, enquanto determinados confrontos parecem mais punitivos do que propriamente exigentes. Em contrapartida, os chefes costumam oferecer batalhas visualmente interessantes e desafios mais bem estruturados, embora nem todos alcancem o mesmo nível de qualidade.

A progressão segue uma estrutura familiar: derrotar inimigos rende recursos que podem ser utilizados para aprimorar atributos, comprar itens e melhorar equipamentos. É um sistema funcional, mas que não representa uma grande novidade para quem já conhece o gênero. A variedade de armas e habilidades oferece possibilidades, embora nem todas pareçam igualmente úteis ou necessárias para mudar a maneira de jogar.

Uma boa ideia que ainda precisa encontrar seu próprio caminho

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Imagem: Divulgação/Lyrical Games.

Valor Mortis tem uma proposta bastante interessante. A combinação entre horror histórico, combates em primeira pessoa e elementos tradicionais dos Soulslikes cria uma identidade que merece atenção. A One More Level demonstra competência na construção da atmosfera e apresenta um sistema de combate com boas ideias, especialmente na utilização de parries e na combinação entre armas brancas e de fogo.

Entretanto, o jogo também demonstra dificuldades em aspectos fundamentais. A narrativa não aproveita todo o potencial de seu universo, o desenho das fases oscila entre momentos interessantes e trechos confusos, e a dificuldade nem sempre parece bem calibrada. Além disso, a própria estrutura segue tão de perto as convenções do gênero que a perspectiva em primeira pessoa, apesar de diferenciada, nem sempre é suficiente para tornar a experiência verdadeiramente original.

No fim, Valor Mortis parece ser uma alternativa interessante para quem procura mais um Soulslike, especialmente pela ambientação e pela maneira como adapta o combate para a primeira pessoa. Ainda assim, suas boas ideias convivem com limitações que impedem o jogo de alcançar todo o potencial de sua proposta.

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