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Review | Call of Duty: Modern Warfare 4 (PC)

Existe algo especial em encontrar um jogo que consegue fazer você esquecer completamente o que está acontecendo ao seu redor. Aquele momento em que você se acomoda na cadeira, começa a jogar e, quando percebe, já passaram horas. Call of…

Review | Call of Duty: Modern Warfare 4 (PC)

Existe algo especial em encontrar um jogo que consegue fazer você esquecer completamente o que está acontecendo ao seu redor. Aquele momento em que você se acomoda na cadeira, começa a jogar e, quando percebe, já passaram horas. Call of Duty: Modern Warfare 4 me proporcionou exatamente essa sensação. Desde sua primeira sequência, o jogo demonstra uma preocupação enorme com apresentação, ritmo e ambientação. É uma experiência que parece querer nos transportar para dentro de um grande filme de ação, mas sem abrir mão daquilo que torna os videogames tão divertidos: estar no controle de tudo.

E essa impressão começa logo na introdução da campanha. Em um primeiro momento, acompanhamos um grupo de soldados sul-coreanos em uma situação cotidiana, entre conversas casuais e momentos de descontração. É uma abertura muito bonita, cuidadosamente construída, que apresenta seus personagens e estabelece uma atmosfera antes de transformar completamente o cenário. A maneira como a tranquilidade daquela sequência dá lugar ao caos da invasão é impressionante. A direção, a iluminação, os detalhes dos ambientes e o trabalho sonoro fazem tudo parecer muito vivo. É justamente ali que Modern Warfare 4 deixa claro qual será sua prioridade: imersão.

Anunciado de surpresa neste ano, o novo capítulo da franquia chega com a missão de recuperar a confiança de jogadores que, nos últimos lançamentos, não encontraram tudo aquilo que esperavam de Call of Duty. A Infinity Ward aposta em uma estrutura bastante conhecida, mas procura elevar a qualidade de cada uma de suas partes. O resultado é um pacote que reúne uma campanha cinematográfica, um multiplayer divertido e um DMZ muito mais ambicioso. Entretanto, mesmo com tantos acertos, existem escolhas que poderiam ter recebido mais atenção.

Esta análise foi realizada a partir de uma chave de acesso de Call of Duty: Modern Warfare 4 fornecida pela Activision.

Uma campanha que parece um filme

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Imagem: Divulgação/Activision.

A história nos coloca no meio de um conflito entre as Coreias do Norte e do Sul. De um lado, acompanhamos Park e um grupo de soldados sul-coreanos que precisam enfrentar uma situação muito maior do que poderiam imaginar. Do outro, reencontramos o Capitão Price e personagens conhecidos da franquia, envolvidos em uma investigação que se transforma em uma jornada marcada por perdas, vingança e decisões difíceis.

Essa divisão de perspectivas é um dos maiores acertos da campanha. Acompanhando Park, temos a oportunidade de enxergar a guerra por um olhar diferente daquele que estamos acostumados a encontrar na série. São soldados que possuem suas próprias relações, preocupações e momentos de descontração, mas que acabam sendo colocados diante de situações extremamente violentas. A introdução faz questão de estabelecer essa conexão antes de nos jogar no conflito, e isso muda a maneira como enxergamos os acontecimentos seguintes.

Já a trajetória de Price traz a familiaridade que os fãs esperam, mas também tenta explorar um lado mais sombrio do personagem. Sua busca por respostas e vingança o coloca em situações cada vez mais complicadas, mostrando alguém que precisa lidar com as consequências de suas próprias escolhas. Existe uma boa intenção em desenvolver esse lado do Capitão, especialmente depois dos acontecimentos dos jogos anteriores.

O problema é que nem todas as partes dessa narrativa recebem o mesmo cuidado. A divisão de tempo entre os dois núcleos acaba prejudicando um pouco o desenvolvimento da Task Force 141, que não ocupa o espaço que muitos jogadores provavelmente esperavam. Enquanto Park e seu grupo conquistam nossa atenção, alguns personagens já conhecidos parecem ficar em segundo plano. O próprio Archer, interpretado por Mads Mikkelsen, é um exemplo disso. A presença do ator desperta expectativas enormes, mas o vilão não recebe tempo suficiente para desenvolver uma personalidade e motivações tão interessantes quanto poderia.

O mesmo acontece com algumas lideranças envolvidas no conflito coreano. Existem ideias interessantes e personagens que poderiam render muito mais, mas determinadas resoluções parecem apressadas. É frustrante perceber que uma história com tantas possibilidades acaba deixando algumas de suas figuras mais importantes sem o desenvolvimento necessário.

Ainda assim, isso não compromete aquilo que a campanha faz de melhor. A variedade de missões é excelente, alternando confrontos intensos, infiltrações, perseguições e momentos que oferecem mais liberdade para explorar o ambiente e cumprir objetivos. Existe uma preocupação em evitar que tudo se transforme em uma sequência interminável de tiroteios, e essa variedade ajuda bastante a manter o ritmo.

Também é impossível ignorar a apresentação técnica. Os cenários são impressionantes, os personagens possuem uma riqueza de detalhes muito boa e o design de áudio contribui diretamente para a sensação de estar dentro daquele conflito. Explosões, disparos, diálogos e movimentação dos personagens se conectam de maneira muito natural. Em determinados momentos, realmente parece que estamos participando de uma produção cinematográfica de grande orçamento.

O único problema é que tudo isso acaba rápido demais. Mesmo sendo uma campanha muito boa, fiquei com a sensação de que poderia ter recebido mais algumas horas de desenvolvimento. Não necessariamente por precisar de mais missões de ação, mas porque alguns personagens e acontecimentos mereciam respirar um pouco mais. É uma daquelas situações em que você termina a experiência satisfeito, mas com vontade de continuar naquele universo.

O multiplayer ainda tem muito a oferecer

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Imagem: Divulgação/Activision.

Depois de uma campanha tão envolvente, seria natural encontrar uma queda de qualidade ao partir para o multiplayer. Felizmente, não é o caso. A Infinity Ward recupera uma abordagem mais tradicional de combate, dando maior importância ao posicionamento, à precisão e à leitura dos confrontos. O ritmo é mais controlado do que em alguns lançamentos recentes, e essa escolha combina muito bem com a proposta de Modern Warfare.

O funcionamento das armas é um dos grandes destaques. Os disparos possuem impacto, as animações são muito bem trabalhadas e a resposta dos controles torna os confrontos extremamente satisfatórios. Existe aquela sensação familiar de Call of Duty que faz você querer terminar uma partida e imediatamente procurar outra.

Mas nem tudo funciona tão bem. Alguns mapas são pequenos e apertados demais, criando situações em que os confrontos acontecem de maneira caótica. Em vez de permitir que o jogador leia melhor o cenário e planeje seus movimentos, determinadas partidas acabam sendo marcadas por mortes inesperadas, inimigos surgindo em ângulos difíceis de acompanhar e pouco espaço para desenvolver uma abordagem mais tática. Existem mapas que funcionam muito bem, mas a qualidade não é tão consistente quanto poderia ser.

O equilíbrio das armas também merece atenção. Em algumas situações, o tempo necessário para eliminar um adversário parece inconsistente, especialmente quando diferentes multiplicadores de dano entram em cena. Há confrontos em que você tem a impressão de ter acertado primeiro e mesmo assim acaba eliminado antes de conseguir reagir. As submetralhadoras também nem sempre conseguem competir em condições ideais com os rifles de assalto, enquanto determinadas armas de longo alcance se destacam demais e acabam dominando os confrontos.

Os rifles de precisão, em particular, podem ser bastante frustrantes quando estão nas mãos de jogadores que conseguem aproveitar sua eficiência. Não há problema em uma arma ter uma função específica e ser poderosa dentro de sua proposta, mas existe uma diferença entre oferecer boas opções de equipamento e permitir que algumas delas se tornem escolhas tão vantajosas que prejudicam a variedade das partidas.

Outro ponto que merece atenção é a assistência de mira. A impressão é de que ela pode ser generosa demais em determinadas situações, reduzindo um pouco a importância da precisão individual nos confrontos. É um equilíbrio delicado, mas necessário para que jogadores utilizando diferentes dispositivos sintam que estão disputando as partidas em condições justas.

Apesar dessas questões, o multiplayer continua sendo muito divertido. A personalização das armas oferece boas possibilidades, a progressão incentiva a experimentar diferentes equipamentos e existem modos que conseguem fugir um pouco da estrutura tradicional. Kill Block, por exemplo, merece destaque pela proposta de modificar o cenário entre as rodadas, criando novas rotas e possibilidades de combate. É uma ideia interessante que acrescenta variedade sem precisar descaracterizar a experiência.

No fim, o multiplayer tem uma base muito boa, mas ainda precisa de ajustes no equilíbrio das armas, na assistência de mira e em determinados mapas. É um modo que me divertiu bastante, embora eu não consiga ignorar os problemas que aparecem quando passamos mais tempo jogando.

DMZ: uma experiência que merece atenção

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Imagem: Divulgação/Activision.

E ainda temos o DMZ. Confesso que uma das maiores surpresas de Modern Warfare 4 foi perceber o quanto esse modo ganhou espaço e personalidade. O que antes parecia uma experiência paralela dentro da franquia agora se apresenta como uma parte muito importante do pacote, com sistemas próprios e um ciclo de jogo que facilmente faz você perder algumas horas.

Para quem não está familiarizado, a proposta é entrar em uma zona de conflito, cumprir objetivos, encontrar recursos e tentar sair em segurança com tudo aquilo que conseguiu reunir. Parece simples quando explicado dessa maneira, mas a tensão aparece justamente nas decisões que surgem durante cada incursão. Vale a pena continuar explorando? É melhor procurar mais equipamentos ou garantir o que já conseguimos? E se outro esquadrão aparecer pelo caminho?

O mapa de Hajin oferece bastante espaço para exploração, com diferentes regiões, pontos de interesse, instalações militares e oportunidades de encontrar recursos. Cada incursão pode seguir um caminho diferente, seja priorizando missões, enfrentando inimigos ou simplesmente explorando o ambiente. É justamente essa liberdade que torna o modo tão interessante: você pode entrar com um objetivo em mente e acabar envolvido em uma situação completamente diferente poucos minutos depois.

A evolução dos operadores também acrescenta uma camada importante à experiência. Há equipamentos para conseguir, recursos para administrar, melhorias para desbloquear e características que ajudam a desenvolver diferentes estilos de jogo. Entre uma incursão e outra, a Base Operacional Avançada funciona como um ponto de preparação, permitindo organizar os próximos passos e acompanhar sua progressão.

Existe, porém, uma curva de aprendizado considerável. A quantidade de sistemas pode ser um pouco intimidadora para quem está chegando agora, e atravessar um mapa tão grande nem sempre é a parte mais divertida de uma operação. Além disso, perder equipamentos depois de uma incursão mal-sucedida pode ser bastante frustrante, especialmente quando isso acontece depois de muito tempo investido.

Mas esses problemas não apagam o que o DMZ tem de melhor. Cada extração bem-sucedida é recompensadora, e a possibilidade de encontrar outros jogadores pelo caminho cria situações imprevisíveis. É um modo que recompensa a curiosidade e faz você querer conhecer cada vez mais do mapa. Quando percebe, já está planejando a próxima incursão, pensando no que precisa melhorar e tentando recuperar aquele equipamento que deixou para trás.

A Infinity Ward conseguiu transformar o DMZ em uma experiência com identidade própria, e isso merece reconhecimento. Não é apenas um complemento para aumentar a quantidade de conteúdo do jogo. É um modo que, sozinho, pode garantir muitas horas de diversão.

Um dos grandes destaques do ano

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Imagem: Divulgação/Activision.

O que mais me impressiona em Call of Duty: Modern Warfare 4 é a maneira como essas três experiências conseguem formar um pacote tão completo. A campanha me envolveu com sua apresentação cinematográfica e seus momentos de ação, o multiplayer entregou confrontos extremamente divertidos e o DMZ mostrou uma proposta com profundidade suficiente para me fazer voltar ao jogo repetidas vezes.

Isso não significa que tudo seja perfeito. A campanha poderia desenvolver melhor alguns personagens e ter uma duração maior. O multiplayer precisa de ajustes no equilíbrio das armas, na assistência de mira e em determinados mapas. Já o DMZ poderia tornar alguns aspectos de sua progressão e exploração mais acessíveis. São problemas reais, mas que não conseguem apagar a qualidade da experiência como um todo.

Existe uma diferença enorme entre um jogo que tenta impressionar apenas pelo tamanho de sua produção e outro que realmente consegue fazer você se sentir parte daquele universo. Modern Warfare 4 entende muito bem essa diferença. Sua apresentação técnica não está ali apenas para impressionar visualmente: ela trabalha em conjunto com a direção, a ambientação e a jogabilidade para construir uma experiência extremamente imersiva.

Talvez a Infinity Ward não tenha reinventado Call of Duty, mas também não precisava fazer isso. Em vez de procurar mudanças apenas para parecer diferente, o estúdio resgatou características muito fortes da franquia e construiu uma experiência que sabe exatamente o que quer entregar.

Não tenho dificuldade em dizer que este foi o jogo que mais gostei de jogar em 2026 até agora. É uma daquelas experiências que me fazem lembrar por que gosto tanto de videogames. A vontade de continuar jogando, a curiosidade para descobrir o que vem pela frente e aquela satisfação de encontrar um título que realmente consegue me prender.

Call of Duty: Modern Warfare 4 é um retorno em grande estilo. Uma campanha que parece um filme, um multiplayer que continua extremamente divertido e um DMZ que tem tudo para render muitas e muitas horas de jogo. Mesmo com seus problemas, é difícil não reconhecer o excelente trabalho realizado pela Infinity Ward.

E olha que eu só queria jogar mais uma missão. Depois mais uma partida. Depois só mais uma incursão no DMZ. Quando percebi, já tinha passado horas ali. E é provavelmente o melhor elogio que posso fazer a este jogo.

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