Netflix entra na briga para arrancar a Warner da mão da Paramount

A briga pela Warner Bros. virou um faroeste corporativo, e a Netflix acaba de puxar o revólver mais pesado: uma maleta de dinheiro vivo. Em uma manobra agressiva para calar a oferta rival da Paramount Skydance, o streaming reformulou sua proposta de compra e agora oferece US$ 82,7 bilhões (R$ 445 bi) totalmente em dinheiro pelos estúdios e pelo negócio da HBO Max.

A mudança é estratégica e direta. A proposta anterior da Netflix misturava ações, cujo valor oscila. A da Paramount, por sua vez, já era 100% em cash. Agora, a Netflix eliminou qualquer incerteza: cada acionista da Warner Bros. Discovery receberá US$ 27,75 por ação, de forma fixa e imediata. O conselho da Warner já aprovou por unanimidade.

A jogada tem um objetivo claro: acelerar o processo e enterrar a concorrência. Com a nova oferta, a Netflix forçou um cronograma de votação ultra-rápido. Os acionistas da Warner devem decidir o futuro da empresa até abril de 2026. É um xeque-mate regulatório para tentar sufocar a campanha hostil que a Paramount vinha travando nos bastidores.

O que a Netflix quer levar para casa

O prêmio é um dos mais suculentos da história de Hollywood. A Netflix não quer a empresa inteira — apenas a parte que interessa: os estúdios Warner Bros., o catálogo e a produção da HBO, a plataforma HBO Max e a divisão de games. Em outras palavras, o controle de franquias como Harry PotterGame of ThronesBatmanSuperman e uma biblioteca cinematográfica que define gerações.

A parte que sobra — batizada de Discovery Global e que inclui canais como CNN, TNT, TBS, HGTV e os direitos esportivos do TNT Sports — será separada e continuará nas mãos dos atuais acionistas. A Paramount alega que esse espólio “não vale nada”, mas a própria Warner avalia que, sozinho, ele pode valer entre US$ 4,63 e US$ 6,86 por ação no futuro.

Uma guerra de bilhões e egos

De um lado, a Netflix, que busca se transformar de gigante do streaming em império do entretenimento tradicional. Do outro, a Paramount Skydance, apoiada pela fortuna da família Ellison (dona da Oracle) e por fundos soberanos da Arábia Saudita, Qatar e Abu Dhabi, que querem expandir seu portfólio de mídia.

A batalha agora se desloca para o campo regulatório. Ambas as empresas já abriram processos no Departamento de Justiça dos EUA e na Comissão Europeia. A Paramount alega que sua oferta enfrentaria menos resistência antitruste. A Netflix, por sua vez, tenta acalmar o mercado prometendo manter os filmes da Warner nos cinemas por 45 dias — uma tentativa de evitar o colapso das salas e a fúria dos exibidores.

Enquanto isso, Hollywood observa com um misto de fascínio e temor. A consolidação de um player tão poderoso quanto a Netflix com o acervo da Warner pode redefinir o poder na indústria, com impactos em empregos, salários e na própria diversidade de vozes no audiovisual.

A próxima rodada será em abril, na votação dos acionistas. A Netflix jogou sua cartada mais forte. Resta saber se a Paramount ainda tem alguma bala na agulha — ou se o chapéu e o cavalo branco da Warner já têm dono.

Fonte: Variety

Compartihar:

Sou o CEO e editor-chefe da Taverna GM e faço parte da administração do portal. Cuido da parte administrativa, da gestão de conteúdo e da comunicação, além de produzir reviews, notícias e textos de opinião sobre filmes, séries, jogos, música e o universo do entretenimento em geral.

Publicar comentário