Por Que a Marvel é Melhor Que a DC?

Por Que a Marvel é Melhor Que a DC?

A rivalidade entre DC e Marvel divide os fãs de HQs, cinema e da cultura pop como um todo há quase um século, e a internet alimentou ainda mais esse debate que possivelmente nunca terá uma resposta. Há 9 meses, defendemos os motivos pelos quais a DC poderia ser considerada melhor, por seus ícones, seu pioneirismo e seus múltiplos prêmios nos quadrinhos e no cinema. Dessa vez, vamos exaltar os trunfos da Marvel sobre a DC, e cabe a você, decidir qual deles é melhor, afinal, essa é uma opinião que varia de fã para fã.

A Reinvenção dos Quadrinhos

Na ascensão das duas editoras no fim dos anos 1930, as perspectivas eram totalmente diferentes. Enquanto a DC (na época National Publications) batia recordes de vendas com Batman e Superman, que são até hoje os maiores ícones do mundo dos super-heróis, a Marvel (na época Timely Comics) tinha um começo mais discreto, com heróis como Namor e Tocha-Humana (não é o do Quarteto Fantástico). Com exceção do Capitão América, nascido in 1941 para surfar na onda da Segunda Guerra Mundial, nenhum herói da Casa das Ideias realmente emplacou.

 A DC permaneceu no trono até os anos 1960, quando a censura pesada sofrida pelos quadrinhos fez com que o Bat-Zebra, Superman lançando arco-íris pelos dedos e Aquaman bebendo leite de polvos se tornassem coisas comuns. Foi nesse momento que a Marvel reinventou os quadrinhos de super-herói, em uma revolução que podemos dizer com segurança que salvou o gênero em sua noite mais escura. Entre 1960 e 1969, a Marvel lançou nada menos que esses títulos: Homem-Aranha, Vingadores, Hulk, Quarteto Fantástico, Demolidor, Homem de Ferro e os X-Men. Os Vingadores funcionam quase como os Beatles dos quadrinhos de herói, reunindo os maiores nomes da editora. 

Diferente de ícones quase divinos como Superman e Mulher-Maravilha da DC, os heróis da Marvel, especialmente Hulk e os membros dos X-Men, viam seus poderes quase como maldições, que os assombravam com o peso da responsabilidade, e com a certeza de que nunca seriam aceitos. Eram homens e mulheres muito mais comuns do que se era possível imaginar, com falhas como todos nós. O Homem-Aranha era um herói humanizado e bem-humorado, buscando a identificação com o público adolescente, para além do infantil. Os X-Men talvez tenham sido o maior acerto, trazendo heróis diversos e discutindo temas sociais até então intocados nos quadrinhos.

 Enquanto a DC parecia um ancião em meio a um baile adolescente, a Marvel comunicava-se facilmente com a juventude e com os temas da atualidade por meio de seus heróis e narrativas. Não é para menos que essa década de ouro da Marvel marcou também um crescimento histórico nas vendas, sendo esse o momento em que a Casa das Ideias finalmente passou a ameaçar o império da DC nos quadrinhos, chegando a ultrapassá-lo no futuro, especialmente com os X-Men, que se tornaram seu título mais rentável ao lado do Homem-Aranha.

 A própria forma de produção da editora era mais modernizada e eficiente, com desenhista e autor escrevendo as histórias em conjunto, o que dava aos quadrinhos um elemento cinematográfico que as HQs da DC, ainda presas ao estilo de diagramação das tirinhas de jornal, ainda estavam longe de alcançar. Foi assim que duplas históricas como Stan Lee e Jack Kirby nasceram. Por sinal, autores relacionados à DC, como Frank Miller, autor de Cavaleiro das Trevas, e Alan Moore, autor da Piada Mortal, explodiram nos quadrinhos de herói inicialmente na Marvel. Se acusam a Marvel de copiar heróis da DC, a DC não se envergonhava nem um pouco em pegar os autores da concorrência para si. 

📊 Histórico de Vendas e Fatias de Mercado (1960–1990)

Na década de 1970, a Marvel foi responsável por simbolicamente dar um fim à censura mais intensa do Comics Code contra as HQs, quando, nas edições 96 a 98 de Homem-Aranha, Stan Lee tocou em temas delicados por meio de Harry Osborn, que se tornou um viciado em pílulas e substâncias químicas, forçando Peter, Mary Jane e Gwen Stacy a ajudá-lo a superar a dependência. A trama ousada surpreendeu, ao mesmo tempo que foi considerada de utilidade pública, por conscientizar os jovens leitores. Esse pequeno arco, junto à edição dupla da Morte de Gwen Stacy, marcou o fim da inocência nos quadrinhos, que, graças ao Cabeça de Teia, podiam, pela primeira vez na história, ser considerados um tipo minimamente complexo de literatura. 

O Fenômeno do UCM

No ambiente audiovisual reside o maior feito contemporâneo da editora. Desde os anos 1960, a DC dominava o cinema e a televisão de super-heróis. Em 1978, Superman: O Filme conquistou uma das maiores bilheterias da história e mostrou a viabilidade de transmitir a alma dos quadrinhos para as telas. Em 1989, o Batman de Tim Burton quebrou recordes e consolidou a “Batmania” mundial. Enquanto isso, a Marvel sofria com produções de baixo orçamento diretamente para a TV ou VHS, como Capitão América (1990) e O Julgamento do Incrível Hulk (1989), sendo tratada quase como piada no meio cinematográfico.

Tudo mudou em 2008, quando Homem de Ferro deu início ao projeto mais audacioso da sétima arte: o Universo Cinematográfico Marvel (UCM). Dezenas de filmes conectados transformaram heróis que antes eram considerados do segundo escalão em ícones globais, estabelecendo as faces de Robert Downey Jr., Chris Evans e Chris Hemsworth como as identidades definitivas desses personagens para o público geral.

Desde Os Vingadores (2012), cada lançamento da editora tornou-se um evento cultural de massa. A chamada “Fórmula Marvel”, misturando ação explosiva, humor constantes e uma pitada de dilemas emocionais, transformou os heróis mais poderosos da Terra em uma potência econômica bilionária.

🎬 As 5 Maiores Bilheterias do Universo Cinematográfico Marvel

Até mesmo produções de heróis menos badaladas, como Pantera Negra, mostraram-se capazes de bater a casa do bilhão, algo que, no auge do UCM, era quase rotina. A proximidade com os personagens se deu pela paciência com a qual eles foram construídos. Capitão América teve três filmes solo para consolidar-se como um líder corajoso, honrado e bondoso. Thor teve quatro filmes para ir de um príncipe arrogante para um guerreiro bem-humorado (e bobo até demais em alguns momentos). Tony Stark teve uma trilogia para ir de um gênio, playboy, bilionário e filantropo, para… um gênio, playboy, bilionário e filantropo, mas com capacidade de sacrificar-se em nome de todo o universo.

 Isso mostra um planejamento e maturidade que a DC jamais teve em sua fracassada tentativa de construir às pressas um universo compartilhado para tentar acompanhar uma concorrência que eles sabiam estar anos-luz à sua frente.

Se o gênero de heróis é a potência econômica multibilionária que é hoje, e heróis como Thor, Capitão América e Homem de Ferro são tão queridos quanto Superman e Batman, muito disso se deve ao trabalho quase impecável que a Marvel construiu nos cinemas até 2019. Quase, porque filmes como Homem de Ferro 3, Thor: Mundo Sombrio e Homem-Aranha: Longe de Casa realmente puxam a média para baixo… Na atualidade, a Marvel se destaca por suas séries conectadas ao cinema, como Loki, Wandavision e Demolidor (essa última que, para mim, é uma das melhores coisas já feitas pela Marvel), que estendem ao streaming a paixão construída no cinema.

 Se a DC fundou as bases do gênero, domina os games e as animações, e possui os ícones mais atemporais, a Marvel foi quem se adaptou melhor e mais rápido às mudanças do tempo, e revolucionou o gênero de heróis de forma a mantê-lo vivo em um momento de censura e estagnação criativa. 

Seu pioneirismo na construção de arquétipos completamente novos de heróis e vilões, e sua construção de um universo cinematográfico de sucesso incomparável, mostram, sem sombra de dúvidas, que, em muitos aspectos, a Marvel é sim superior à DC. E para você, qual foi o momento mais questionável do início de carreira do Homem-Aranha? Deixe seu comentário! 

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