Supergirl (Craig Gillespie, Cruella) é o segundo capítulo do novo Universo DC liderado por James Gunn, chegando logo após o lançamento de Superman (2025). A produção acertou em cheio ao estrear a heroína nos cinemas adaptando a aclamada HQ Supergirl: Mulher do Amanhã (2021/2022). Além de ser uma excelente história, a aventura cai como uma luva para estabelecer as bases e a personalidade de Kara Zor-El (Milly Alcock, A Casa do Dragão), que se distancia bastante de seu primo, Kal-El.
O ponto alto do filme é, sem dúvidas, a atuação de Milly Alcock. A atriz transmite com precisão o sofrimento e o abandono causados por traumas profundos. O resultado é um comportamento, uma postura e uma visão de mundo quase antagônicos aos do maior herói da DC. Isso pavimenta dinâmicas futuras promissoras e, acima de tudo, garante à personagem uma identidade própria desde o início, deixando clara sua intenção de alçar voos independentes. Embora o longa recorra a pontuais aparições do Superman como uma espécie de “chancela” para o público, o recurso é perfeitamente compreensível.
Os detalhes sobre Krypton, sua destruição e a convivência de Kara com a família geram uma forte conexão com o espectador. E, por mais que a personalidade resultante não seja nenhuma “invenção da roda”, há pouco o que criticar; o comportamento autodestrutivo exibido no início é fascinante e dá um ótimo tempero à sua jornada heróica.
O calcanhar de Aquiles do filme, infelizmente, é a falta de impacto em quase tudo que não envolve a protagonista. A produção recicla elementos que funcionaram em outros longas de James Gunn, como a grande pluralidade de alienígenas e planetas, mas mantém ganchos familiares — como acessórios, utensílios e até uma famosa música brasileira tocando em uma juke box de um boteco “pé-sujo” nos confins da galáxia. O visual traz boas cores e maquiagens competentes, mas não chega a encher os olhos.
A dinâmica da jornada, que passa por diferentes planetas com sóis que alteram os poderes de Kara, é uma excelente sacada. Contudo, o estopim da caçada e o seu antagonista não funcionam. Krem (Matthias Schoenaerts), líder dos Bandoleiros, comanda uma gangue de malfeitores espaciais que faz o filme lembrar, positivamente, a estética de Mad Max (com direito a visuais cyberpunk e comportamento sociopata). O problema é que o líder tem o apelo cênico de uma caneca. Nota-se o esforço para torná-lo ameaçador por meio do figurino e da caracterização, mas Schoenaerts entrega uma atuação que oscila entre o genérico e a canastrice, esvaziando a tensão de qualquer cena. Ele opera no mesmo nível de um capanga comum.
Essa fraqueza, por incrível que pareça, acaba elevando a participação do Lobo (Jason Momoa). Mesmo entregando sua atuação básica de sempre, Momoa está muito bem caracterizado e, por contracenar com verdadeiros NPCs, acaba se sobressaindo. Já a jovem Eve Ridley (no papel de Ruthye Marye Knoll) não compromete. Ao orbitar a heroína, ela está presente em quase todos os melhores momentos do filme e ganha seu merecido destaque. Sua função como ferramenta de catarse para a protagonista segue a cartilha clássica de Hollywood, já que personagens mirins são garantia quase certa de empatia com o público.
Apesar da falta de viço criativo em seu entorno, Supergirl está longe de ser um filme ruim.

Supergirl (2026)
Duração 1h 50min Direção Craig Gillespie Roteiro Ana Nogueira Elenco Milly Alcock, Jason Momoa, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley Onde assistir Ver plataformas no JustWatchCompartihar:















Publicar comentário