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Crítica: Michael

Crítica: Michael

Michael, do diretor Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, 2001) vem para mostrar ao mundo atual o fenômeno avassalador que foi Michael Jackson.

Que, se hoje em dia, 17 anos após sua morte, ainda é um nome forte, a geração atual talvez não consiga conceber o que era “O Maior Artista Pop de Todos os Tempos” em vida. Alguns poderão taxar o filme de “chapa branca” por ser pouco profundo em questões pesadas e complexas envolvendo a infância dos Jackson, mas isso é compreensível e pode ser relevado por dois motivos, um é que é uma produção familiar, praticamente todos os Jackson assinam a produção e o outro motivo é que o foco está mais para o artista do que para a pessoa.

Então o público que está procurando algo nos moldes de “Casos de Família” ou do programa “E! True Hollywood Story”, provavelmente vão sentir falta de algo, mas quem for um dos bilhões de fãs do Maior Artista de Todos os Tempos, vai ficar encantado com o resultado final. Começando por algumas performances, e aqui já cito o jovem Michael (Juliano Valdi, série The Hug Machine), que além de ter o carisma geralmente natural das crianças, tem uma presença bem imponente nas cenas de palco e o que é mais impressionante, ele realmente canta nas suas cenas.

Essa combinação já é mais do que suficiente para gerar uma forte empatia pelo protagonista. Outro destaque que chama muita atenção em todas as suas cenas é Joe Jackson (Colman Domingo, Wicked: Parte 2, 2025), a caracterização o deixou muito parecido com o patriarca da família e sua atuação, mesmo no suavizado primeiro ato, intimida e evoca aquela sensação de lar abusivo. O magnetismo “negativo” do personagem permeará toda a história e suas participações estão em qualquer boa cena que não seja musicada. Como o início do longa não é muito profundo, quase todos os personagens são praticamente adereços cenográficos e nisso inclui-se os irmãos de Michael em sua totalidade, o único outro Jackson com algum destaque é Katherine Jackson (Nia Long, série, NCIS) que é a fonte de conforto, carinho e compreensão do pequeno Michael, vindo de uma mulher podada pelo marido.

Todas as cenas musicais dessa primeira parte do filme são um “esquenta” respeitável para o que está por vir, que são excelentes performances situadas em pontos chave da carreira do astro, com pausas nas músicas para mostrar os momentos de virada da carreira meteórica do caçula Jackson. Do segundo ato para o final, estamos entregues ao Michael adulto (Jaafar Jeremiah) que estreia nos cinemas interpretando o tio e leva com muita responsabilidade. Exímio dançarino, executa as coreografias com competência e quando caracterizado no palco, a semelhança é absurda. Em todo o “setlist” do filme, o figurino, os cenários, as coreografias, até mesmo os bailarinos extras. Tudo foi meticulosamente posicionado e planejado e essa é a cereja do bolo desse tipo de filme.

Além de se emocionar com esses momentos, os espectadores que conhecem melhor a trajetória, vão dar aquele pulinho da cadeira ao identificar certos momentos antes que eles aconteçam, como a primeira execução do passo “Moonwalker”. Outro trunfo é mostrar, como sua carreira impactou o mundo de diferentes formas, desde ajudar os mais necessitados até a quebra de barreiras raciais, e esse tipo de coisa que coloca o filme no coração de quem está assistindo. Mas Jaafar não é só dança. Nas cenas do cotidiano, o que mais chama a atenção é a voz e o jeito de falar, muito parecido com a enxurrada de entrevistas do cantor que existem por aí. Ele passa uma ternura e inocência que fazem as coisas incomuns ficarem até engraçadas.

Michael é uma homenagem para um ente querido, que se tornou um ente querido pra muita gente ao redor do globo nas quase últimas sessenta décadas e esse tipo de história é importante. Não dá para sentir as duas horas e sete minutos de projeção, quando o filme acaba, deixa uma sensação de precoce, mas não se preocupe, o filme só cobre os primeiros vinte anos de carreira, aguardaremos a continuação com expectativa.

“Michael é uma homenagem para um ente querido, que se tornou um ente querido pra muita gente ao redor do globo nas quase últimas sessenta décadas e esse tipo de história é importante.”
Leonardo Valério
 Crítica: Michael

Michael (2026)

Duração 2h 08min Direção Antoine Fuqua Roteiro John Logan Elenco Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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