Crítica: O Beijo da Mulher Aranha

Crítica: O Beijo da Mulher Aranha

“O Beijo da Mulher Aranha” é um remake de uma das obras mais memoráveis na história do cinema mundial. A obra prima de Manuel Puig, ganha uma nova adaptação para os cinemas, não deixando nada a desejar em comparação ao filme de 1985 dirigido por Hector Babenco, e brilha em um patamar dos mais altos. Em um presídio na Argentina, durante a época de seu governo ditatorial, Luis Molina é preso, acusado de “ataque ao pudor”, mas na verdade fica claro que sua sexualidade é o que coloca atrás das grades. Em cela, ele faz companhia a Valentin Arregui, um revolucionário durão que luta contra o sistema. Ambos criam uma forte amizade tendo o cinema, em especial um filme, como linha condutora de grande parte de suas conversas.

O longa surpreende muito seus espectadores em suas 2 horas e 8 minutos de duração. Um musical que trabalha sabiamente o seu caminhar com inteligência e sem se tornar massivo. Não é uma obra que foca apenas em ser cantada o tempo todo, mas sim apresenta uma filosofia e reflexões. Os momentos de performance são muito bem coreografados, tendo um ar contemplativo e letras fortes e intimistas. O roteiro é genial, com escolhas não só bem pensadas mas também apresentadas de forma satisfatória, o que conduz a obra de maneira natural. A trama ora se ambienta numa história “contada”, em um mundo hollywoodiano, ora em uma prisão, fazendo com que a narrativa brinque entre a realidade e o sonho.

Bill Condon tem uma direção certeira, trabalhando muito bem na escolha de seus planos e na forma como conduz a narrativa. Tobias A. Schliessler compõe uma fotografia que tem presença, com parte em imagens de cores quentes, vibrantes, de brilho e glamour; mas também partes sombrias, onde trabalha a escolha de luz e sombra. Difere naturalmente o que é o enredo da prisão, e o que é a ideia sonhadora do filme “contado”. O longa brinca com o teatral em certos momentos, principalmente com a recriação dos filmes da era de ouro do cinema norte-americano. A direção de arte e figurino é outro ponto de grande acerto com roupas, adereços e cenários ricos e detalhados.

Jennifer Lopez no papel de Ingrid Luna, é sem duvidas a estrela mais conhecido do filme ganhando todos os holofotes. Seja cantando, dançando ou interpretando seus três personagens, a atriz da um show. Lopez não vive papéis de grande necessidade dramática, assim como Sônia Braga não viveu no filme de 85, mas é a figura da atriz que é adorada e que trás o impacto que a produção precisava. Diego Luna ( Valentin Arregui) e Tonatiuh Elizarraraz (Luis Molina) brilham e carregam a obra nas costas, vivendo papeis marcantes para ambas as carreiras. Assim como William Hurt brilhou quando interpretou Molina em 85 ( e levou Oscar ), Elizarraraz vive o personagem tão bem quanto. Arregui e Molina, são carismáticos e conquistam o publico já em suas primeiras aparições, mas é ao longo da obra que conseguem crescer e se mostrarem profundos. Os dois atores formam uma ótima dupla, sendo muito bem escolhidos gerando a química que os personagens precisam. Os personagens vivem uma história comovente e carregada de ensinamentos.

“O Beijo da Mulher Aranha” fala de amor do início ao fim. Ao longo de seu desenrolar, vemos a construção desse sentimento. Seja na história da prisão, ou no “conto” de Molina, o amor é a peça central. É mostrado que a relação dos dois, foi o combustível para suportar tudo aquilo. O filme “contado” é o escapismo, mas é o sentimento que os mantem vivos. A obra trata sobre luta, sobre revolução e acima de tudo resistência, com críticas bem elaboradas e sutis em alguns momentos, tratando muito bem sobre sexualidade e autoritarismo.

Em conclusão, o remake é um espetáculo visual, com suas técnicas de direção, sua fotografia e arte, e principalmente no seu roteiro e sua narrativa. É um filme que homenageia muito bem a ideia original do livro e principalmente o musical da Broadway, faz jus também a produção de Babenco. É ainda uma exaltação a sétima arte, uma homenagem lindíssima a todas as histórias que encantam os espectadores há anos. Molina tem o cinema como essa forma de sonhar, de resistir, e junto com o amor, uma forma de sobreviver.

8
Muito bom
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“É ainda uma exaltação a sétima arte, uma homenagem lindíssima a todas as histórias que encantam os espectadores há anos.”
Vinycius Rodrigues
 Crítica: O Beijo da Mulher Aranha

O Beijo da Mulher Aranha (2026)

Duração 2h5m Direção Bill Condon Roteiro Bill Condon Elenco Diego Luna, Tonatiuh, Jennifer Lopez Onde assistir Ver plataformas no JustWatch

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