Crítica- Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Crítica- Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Terror em Silent Hill: Regresso ao Inferno. Tenta dar ao espectador algo que é notoriamente difícil nas adaptações de videogames para os cinemas, que é a fidelidade com qualidade. Nessa terceira empreitada do universo de “horror survivor” da Konami, a produção optou por adaptar o segundo jogo da franquia e essa tarefa foi mais uma vez para as mãos do diretor Christophe Gans (Terror em Silent Hill) que usou sua experiência prévia de 20 anos atrás para criar cenas que são praticamente uma gameplay, inclusive com cena em primeira pessoa que não é o estilo dos jogos da franquia, mas é um aceno ao espectador gamer. Como o filme em sua grande maioria é de cinza para quase escuridão total, as matizes soam bem artificiais, depondo contra o filme para o espectador “sommelier”, porém, sendo mais um ponto de imersão para o espectador/jogador.

De fato, até o personagem principal várias vezes está com textura de personagem de jogo. James Sunderland (Jeremy Irvine, Outlander: Sangue do Meu Sangue) é um homem traumatizado, que tem como última esperança de reencontrar sua amada, Mary (Hannah Emily Anderson, X-Men: Fênix Negra: 2019), retornar a fatídica cidade de Silent Hill. E é então que os altos e baixos do longa se acentuam logo após um começo de conexão entre o casal bem forçado.

A narrativa faz o estilo de alternância entre passado e presente, e por mais que tenha que se reconhecer o esforço de fazer cada cena na aterrorizante cidade, algo que sempre mantenha o espectador prestando a atenção e tenso, abusando dos cenários em CGI, tanto em cenas abertas, como as bizarras cenas em locais fechados até a níveis claustrofóbicos, a sua alternância com as cenas do passado que deveriam servir para dar contexto e contraponto aos eventos terríveis, são enfadonhas, tanto pelo texto não gerar a curiosidade necessária, mas principalmente pelo elenco não ter química nos diálogos.

Tudo que não é terror se mostra sem profundidade, pelo menos até os motivos dos acontecimentos ficarem bem claros. Resultando em cenas anticlimáticas, trocando de lugar com cenas de apelo visual, variadas em escatologia estética. Algumas com qualidade, mesmo que sejam de um estilo batido, como Laura (Evie Templeton, Wandinha), de menina demônio, que funciona de maneira satisfatória. Além das referências mais óbvias como as cinzas intermináveis e personagens clássicos como as enfermeiras ou o Pyramid Head, até alguns easter eggs, que mesmo com origem duvidosa, estão lá para acrescentar.

Tudo isso, fechando com um “plot” que toda história de terror pede no seu final, faz Terror em Silent Hill: Regresso ao Inferno uma montanha russa que tem suas inversões de qualidades positivas e negativas, mas se mostra uma tentativa franca de fazer uma boa adaptação, diferente da grande maioria que se apropria do título e o deturpa.

“Uma montanha russa que tem suas inversões de qualidades positivas e negativas, mas se mostra uma tentativa franca de fazer uma boa adaptação, diferente da grande maioria que se apropria do título e o deturpa.”
Leonardo Valério
 Crítica- Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno (2026)

Duração 1h 46mDireção Christophe GansRoteiro Christophe Gans, Hiroyuki Owaku, William Josef SchneiderElenco Jeremy Irvine, Hannah Emily Anderson, Robert StrangeOnde assistir Ver plataformas no JustWatch

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