Crítica: Hamnet

Crítica | Hamnet

A adaptação do livro de Maggie O’Farrell, que também adaptou o roteiro ao lado de Chloé Zhao que dirige e roteiriza o longa, que em sua trama principal, apresenta um Shakespeare jovem, interpretado por Paul Mescal, muito antes de se tornar o renomado dramaturgo, ele trabalha como professor particular de latim e inicia um relacionamento com a enigmática Agnes interpretada por Jessie Buckley, vitima da circulação de rumores sobre ser uma bruxa da floresta.

Além disso, a trama também perpetua uma reflexão magistral sobre como o luto pode nos afetar de maneiras traiçoeiras e dolorosas. É marcante, algumas cenas e momentos específicos pode permanecer muito tempo depois dos créditos finais, impregnando sua força silenciosa na mente e no coração. Isso se deve, principalmente a seu texto em alguns momentos servirá como intermédio de uma meditação sobre a perda que é ao mesmo tempo íntima e universal, pois observa meticulosamente as sutis mudanças em sua vida, desde as atividade rotineiras mais tranquilas até as tensões silenciosas que acompanham a ambição e a ausência.

Embora seja uma história fictícia sobre uma figura tão conhecida, sua proposta está muito menos interessada em narrar a trajetória do dramaturgo e aprimorar sua arte e seu processo de evolução até se tornar essa figura emblemática.

A diretora investe bastante tempo na humanidade dos protagonistas, permitindo que o envolvimento deles dominem a experiência, além de explorar o luto como uma força viva e pulsante que molda as escolhas dos personagens, seus movimentos e o próprio ar que respiram. Uma câmera paciente, muitas vezes lenta, permite que os momentos se prolonguem, capturando a sombra singular de uma árvore ou o voo de um falcão, extraindo performances devastadoras. Embora o longa represente, em muitos aspectos, um novo desafio para a diretora e seu estilo inconfundível permanece totalmente reconhecível e apresenta imagens deslumbrantes do início ao fim.

A câmera nunca se apressa, pois seu olhar paciente captura exatamente o que pretende, muitas vezes simplesmente percorrendo lentamente a cena para revelar mais. É um trabalho eficaz que contribui para o brilho de todos os profissionais envolvidos, sem contar com a atmosfera sonora inesperadamente sinistra neste mundo, como se trovões ribombassem à distância, um presságio do que está por vir. A trilha sonora acompanha a atmosfera sinistra, o som e a música estão intrinsecamente entrelaçados com os elementos visuais de uma forma que intensifica a tensão, proporcionando uma sensação visceral da tristeza subjacente que permeia a história.

O distanciamento emocional cresce em paralelo com a separação física, até que a tragédia decorre a ruptura entre eles parece irreparável. Apesar da dor e da perda serem palpáveis e transcender o tempo e o lugar específicos na trama, usa Shakespeare como moldura para esta história de luto e superação. Por fim, serve como uma reflexão de como o sentimento pode ser enfrentado com honestidade e compartilhado com empatia, além ser tão transformador quanto destrutivo e reflexivo.

“Serve como uma reflexão de como o sentimento pode ser enfrentado com honestidade e compartilhado com empatia”
Weslley Lopes
 Crítica | Hamnet

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (2025)

Duração 2h5mDireção Chloé ZhaoRoteiro Maggie O’Farrell, Chloé ZhaoElenco Jessie Buckley, Paul Mescal, Joe AlwynOnde assistir Ver plataformas no JustWatch

Com distribuição da Universal Pictures“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” chega aos cinemas em 15 de janeiro de 2026, também em versões acessíveis.

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