A Sony fez questão de guardar o melhor para o final. Durante o State of Play desta terça-feira (2), a Santa Monica Studio revelou God of War: Laufey — e não, Kratos não é o protagonista. Quem assume o centro da narrativa é Faye (ou Laufey), a gigante esposa do Fantasma de Esparta e mãe de Atreus. A personagem que, até então, existia mais como memória e catalisadora dos eventos de God of War (2018) agora tem seu próprio jogo.
A revelação veio acompanhada de mais de 20 minutos de gameplay, mostrando combate, exploração e uma ambientação completamente inédita para a franquia. O jogo ainda não tem data de lançamento e será exclusivo de PS5.
Quem é Laufey e por que esse nome?
Para quem jogou a saga nórdica, Faye sempre foi um mistério. Sabíamos que ela era uma gigante de Jötunheim, uma guerreira que enfrentou Thor em combate direto (e deixou marcas em Vanaheim como prova), e que foi ela quem guiou Kratos e Atreus até as montanhas no primeiro jogo. Mas sua história pessoal — seus medos, suas motivações, seu passado — permaneceu nas entrelinhas.
O título “Laufey” não é um acaso. Na mitologia nórdica, Laufey é a mãe de Loki (que inspirou Atreus). Loki é frequentemente chamado de Laufeyjarson (“filho de Laufey”) — algo raro na cultura nórdica, que normalmente usava o nome do pai. A Santa Monica aproveitou essa peculiaridade para construir a identidade da personagem: Laufey não é apenas “a esposa de Kratos” ou “a mãe de Atreus”. Ela é uma figura mítica por si só.
A diretora Ariel Lawrence explicou que o estúdio quis explorar “alguém que foi tão fundamental para o início de tudo, mas cuja trajetória permanecia envolta em mistério”. E o nome Laufey, em vez de Faye, aponta exatamente para essa direção: o jogo não é sobre a esposa do Fantasma de Esparta. É sobre a guerreira que desafiou o próprio destino.
Uma morte que é só o começo
A premissa de God of War: Laufey é tão ousada quanto o título. O jogo não é uma prequel. Ele começa exatamente no momento em que o corpo de Faye é cremado na abertura de God of War (2018). Em vez de desaparecer, ela desperta em Everywhen (algo como “Todo-Tempo”), um reino transcendental descrito pelos desenvolvedores como “o lugar onde toda magia nasce e para onde retorna”.
Everywhen funciona como uma espécie de pós-vida dos deuses. Divindades caídas, monstros ancestrais e criaturas de diferentes mitologias coexistem — e disputam poder — neste plano. Faye descobre que os planos que preparou para proteger Kratos e Atreus estão ameaçados, e agora precisa lutar nesse além para salvar quem ama.
O local é um dos pontos mais intrigantes do anúncio. Ao longo do gameplay, vemos ambientes sombrios, repletos de magia, portais gigantescos e paisagens que desafiam qualquer lógica conhecida. Segundo Cory Barlog, diretor criativo do estúdio, Everywhen é menos um paraíso e mais uma prisão habitada por deuses de diferentes panteões, todos disputando poder constantemente.
O combate: a filha da era grega com a era nórdica
O gameplay apresentado deixou claro: Faye não luta como Kratos. Enquanto o Fantasma de Esparta é brutalidade pura e ataques pesados, Laufey é agilidade, fluidez e acrobacia. O combate foi descrito pela equipe como uma “mistura da era grega (hack and slash, movimentação rápida, combos aéreos) com a era nórdica (câmera aproximada, companheiros, exploração e narrativa integrada)”.
A principal novidade mecânica apresentada foi o sistema da Mão Dourada dos Jötnar, uma habilidade exclusiva de Faye que permite golpear inimigos com tanta força que separa a alma do corpo do adversário. A partir daí, o jogador pode atacar a alma diretamente, arremessá-la contra outros inimigos (causando dano em área) ou usá-la para encadear combos criativos.
O sistema lembra o Nemesis System de Shadow of War (2017) em espírito, mas com uma execução mais focada em combate direto e liberdade criativa. A promessa é que Faye possa alternar entre ataques físicos e manipulação de almas para criar sequências cada vez mais elaboradas.
Companheiros novos e retornos de peso
Faye não viaja sozinha. O trailer apresentou dois companheiros principais:
- Phranque (voz de Jack Quaid — The Boys, Oppenheimer): um cubo cósmico de personalidade séria, meio sarcástica, que funciona como guia e consciência (ou a falta dela) durante a jornada.
- Rue (voz de Perlina Lau): uma guardiã encantada ligada à espada de Faye. É com ela que a protagonista forja uma conexão que lhe permite empunhar a arma.
Deborah Ann Woll (Demolidor, True Blood) retorna ao papel de Faye, repetindo a captura de movimentos e dublagem que já havia feito em God of War Ragnarök.
Deuses de outras mitologias? Sim, e isso é enorme
O trailer de gameplay mostrou Faye enfrentando duas divindades:
- Sekhmet (mitologia egípcia): deusa da guerra, da vingança e do sol.
- Begtse (mitologia mongol / tibetana): divindade da guerra, muitas vezes associada a conflitos e destruição.
A presença dessas figuras confirma uma teoria que os fãs alimentam há anos: God of War caminha para um universo compartilhado entre diferentes mitologias. A Santa Monica já havia insinuado isso no final de God of War (2018). Agora, a ideia parece estar se concretizando — mas através da esposa de Kratos, em um reino de deuses mortos.
God of War: Laufey ainda não tem data de lançamento. O jogo está disponível para adicionar à lista de desejos na PlayStation Store e será exclusivo de PS5. A Santa Monica prometeu que há “muito mais” a ser revelado.
Faye sempre foi a chave de tudo. Agora, ela finalmente vai mostrar por quê.
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