Os X-Men surgiram originalmente em 1963, tendo parte de uma série de idéias e títulos propostos pelo editor Stan Lee.
Lee explorava um novo modelo de personagens de quadrinhos do gênero super-heróis, trazer heróis que conviviam com problemas ou dificuldades que também poderiam afetar o leitor comum, como a incompreensão dos semelhantes, dificuldades econômicas, conflitos com autoridades policiais e crises de consciência.
Anteriormente a idéia já havia sido apresentada com o Hulk (1962) e com o Homem-Aranha, entre outros.
No início, o grupo de pessoas com poderes mutantes devido à exposição da geração anterior à energia atômica, que era composto por Cíclope, Garota Marvel, Anjo, Fera e Homem de Gelo e orientado por um tutor paterno, o Professor Charles Xavier, não conseguiu se aproximar do sucesso dos personagens anteriores.

Eles não conseguiram passar em seus primeiros anos de participação na falange Marvel, de heróis de terceira ou, no máximo, segunda categoria.
Mas, à época, real e provavelmente justificada. Afinal, tratava-se apenas de mais um grupo de heróis surgidos na esteira da ameaça nuclear, que combatiam malfeitores de mesma origem (a chamada Irmandade de Mutantes, chefiada pelo vilão Magneto). Nas primeiras aventuras da equipe, nem sequer se cogitava a respeito da dicotomia Martin Luther King e Malcolm X, que posteriormente veio a centralizar, respectivamente, as análises das figuras dos líderes dos X-Men e da Irmandade.
A partir do número 94 um novo roteirista, Chris Claremont, assumiu as histórias dos Filhos do Átomo.
Os Novos X-Men

A chegada de Claremont foi antecedida por uma edição especial com os jovens heróis, Giant Size X-Men 1, com capa datada de maio de 1975. Na edição, após a equipe original desaparecer em uma ilha do Pacífico, seu mentor toma a decisão de convocar uma equipe de resgate, denominada de Novos X-Men, para procurá-los.
Essa equipe era bem mais variada, composta por um teleportador alemão de cor azul (Noturno), uma africana com domínio do clima (Tempestade), um camponês russo que transformava seu corpo em aço (Colossus), um nativo norte-americano com força e resistência extraordinárias (Pássaro Trovejante), um canadense que fazia lâminas de aço brotar das juntas de sua mão (Wolverine), um irlandês com capacidade de dar gritos supersônicos (Banshee) e um japonês que disparava labaredas e produzia calor (Solaris).
Os responsáveis por essa história emblemática foram um verdadeiro marco da saga dos hoje quase cinquentões X-Men foram o roteirista Len Wein e o desenhista Dave Cockrum.
Com o número especial, montou-se o palco no qual, nos anos seguintes, brilharia a estrela de Chris Claremont, que se tornou o escritor oficial da série a partir de então e pode ser diretamente responsabilizado por seu sucesso posterior. A revista dos novos X-Men rapidamente se tornou a campeã de vendas e de aclamação da crítica da Casa das Ideias. E essa popularidade apenas aumentou quando outra figura emblemática da indústria de revistas em quadrinhos, o britânico John Byrne, assumiu a parte gráfica das histórias. Escritor e desenhista se completaram de uma forma verdadeiramente harmoniosa.
Os dois artistas iriam revigorar o título e levá-lo a alturas que poucos haviam atingido, permanecendo à frente dele – juntamente com o arte-finalista Terry Austin – até finais dos anos 1980. Ampliaram-se os conflitos entre os diversos personagens, que passaram a ter grande papel nos enredos e aventuras, como o que envolveu o líder da equipe Cíclope e o sempre insatisfeito Wolverine. O estilo de liderança do primeiro colide diretamente com o espírito de discordância do segundo. Aos poucos, os artistas introduzem nas histórias a noção de que o grupo é mais do que a soma de suas partes. Segundo Richard Reynolds em seu livro Super Heroes: a modern mythology (London: Batsford, c1992), “Byrne e Claremont também introduziram noções Cabalísticas sobre a mística Árvore da Vida no roteiro, para reavivar o tema Gestalt do grupo mutante – que pode em si mesmo ser ligado ao romance de Theodore Sturgeon, More than Human”. Esse livro, originalmente publicado em 1953, trata de um grupo de seis pessoas com poderes extraordinários que é capaz de mesclar suas habilidades, conseguindo agir como um único organismo.

Da colaboração dos dois autores surgiram durante os anos 1970 e 1980, algumas das sagas mais aclamadas vividas pelo grupo de heróis. Na de Proteus, enfrentam um mutante assassino. Na da Fênix Negra, assistem à Jean Grey, a Garota Marvel, transformar-se em uma poderosa entidade depois se sacrificar para salvar o mundo. Em “Dias de um futuro Esquecido” defrontam-se pela primeira vez com o conceito de realidades alternativas. E na história “Deus Ama, o Homem Mata”, enfrentam pela primeira vez a realidade do preconceito dos humanos em relação aos mutantes.
A dupla Claremont/Byrne eventualmente se desfez e cada um seguindo o seu caminho. O término da parceria, no entanto, felizmente não conseguiu ter reflexo muito negativo nas histórias dos X-Men, que permaneceram ainda sob a batuta de Claremont durante algum tempo, enquanto Byrne se transferia para outro título.
O primeiro filme dos X-Men trouxe novo vigor às películas centrados nos super-heróis, demonstrando cabalmente que era possível reproduzir nas grandes telas, graças ao avanço tecnológico, as características desses personagens, sem necessariamente levá-los ao ridículo. Nesse sentido, foram um marco tanto para o cinema como para o gênero de quadrinhos.

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