CRÍTICA: PRESENÇA
Em “Presença”, Steven Soderbergh se aventura por caminhos inusitados ao mesclar o terror sobrenatural com o drama familiar. Desde os primeiros instantes, o longa se apresenta como uma proposta ousada, que, ao romper com o convencional, convida o espectador a repensar as fronteiras entre o medo e a emoção contida nas relações interpessoais.

O uso da lente de 14mm não é meramente uma escolha estética, mas uma ferramenta narrativa que aproxima o público dos detalhes íntimos e perturbadores da trama. Essa técnica confere uma sensação de imersão e realismo em seu desenvolvimento, essencial para a atmosfera tensa que o filme busca construir. Em “Presença”, os elementos do terror se entrelaçam com a dinâmica familiar, revelando personagens à beira de um colapso emocional e desafiando o espectador a decifrar o real do sobrenatural.

A obra se destaca ao abordar temas universais como traumas, solidão, amadurecimento e superação. Contudo, a forma como esses tópicos são introduzidos, por vezes, dilui a intensidade dos momentos mais impactantes. Diálogos repletos de conveniências e uma montagem marcada por cortes abruptos comprometem a coesão narrativa, fazendo com que certas cenas percam o potencial emocional desejado. Ainda assim, a trilha sonora se sobressai, funcionando como um contraponto que equilibra os desvios técnicos e eleva a experiência cinematográfica. As atuações, especialmente dos protagonistas, são um dos pontos altos da produção, transmitindo com autenticidade a vulnerabilidade e o desespero dos personagens em meio à atmosfera opressiva do filme.

“Presença” é, sem dúvida, um experimento corajoso dentro do gênero do terror. Apesar dos percalços na estrutura narrativa e das falhas em alguns momentos de execução, Soderbergh consegue provocar reflexões profundas sobre os limites entre o medo e o drama humano. A obra, ao combinar elementos estéticos refinados com uma proposta temática desafiadora, se consolida como uma experiência cinematográfica rica e digna de apreciação pelos amantes de narrativas que fogem do trivial, convidando a um olhar atento e sensível sobre os labirintos da alma.
NOTA FINAL
2/5
★ ★
Autor: Weslley Lopes
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