Review | Mouse P.I For Hire (PC)

Prometendo ser um dos jogos mais diferentes do ano, Mouse P.I For Hire não só cumpre essa promessa — como vai além. Desenvolvido pela Fumi Games, o título aposta em um visual desenhado inteiramente à mão, inspirado nos desenhos animados da década de 1930, e combina isso com uma experiência de tiro frenética, cheia de personalidade e acompanhada por muito jazz.

Esta análise foi realizada a partir de uma cópia de Mouse P.I For Hire fornecida pela Fumi Games.


UM MUNDO DE CRIME, ESTILO E IDENTIDADE

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© Fumi Games / Divulgação

Aqui, controlamos Jack Pepper, um ex-herói de guerra que agora atua como detetive particular. O que começa como um simples caso de desaparecimento rapidamente evolui para algo maior, envolvendo corrupção, sequestros e assassinatos. A narrativa não é o foco principal o tempo todo, mas funciona como uma boa base para sustentar o universo e dar contexto à ação.

Desde o anúncio, o jogo já chamava atenção pelo visual — e, jogando, isso só se confirma. São poucos títulos hoje que apostam nesse estilo com tanta confiança. A comparação com Cuphead é inevitável, mas Mouse P.I For Hire consegue construir sua própria identidade. Cada cenário é vivo, cheio de animações e detalhes. Raramente existe um momento em que o jogo não esteja transbordando estilo. Seja explorando ruas escuras, estúdios de cinema, casas de ópera ou até esgotos e pântanos, tudo é pensado para manter a imersão.

Mas não é só aparência. Existe uma liberdade interessante dentro dos níveis, com segredos espalhados por cada canto — seja em forma de pistas, munição, dinheiro ou vida. Essa estrutura incentiva a exploração constante e quebra a linearidade, criando um ritmo mais dinâmico entre combate e descoberta. Fora das fases, o jogo ainda oferece uma espécie de base do detetive, onde organizamos pistas, pegamos missões secundárias e melhoramos equipamentos, o que adiciona uma camada extra de progressão que funciona bem dentro da proposta.


COMBATE, RITMO E O PRAZER DE JOGAR

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© Fumi Games / Divulgação

E quando o assunto é combate, o jogo acerta em cheio. A ação é direta, acessível e extremamente satisfatória. Não tenta reinventar o gênero — e talvez nem precise. O arsenal é variado, com mais de 10 armas e habilidades que vão sendo desbloqueadas ao longo da campanha, permitindo estilos diferentes de abordagem. A movimentação, com pulo duplo e habilidades como planar, deixa tudo mais fluido e contribui para combates rápidos, caóticos e divertidos.

A trilha sonora de jazz, gravada por uma big band, é outro destaque. Existe uma sintonia muito forte entre o que você vê e o que você escuta. Enquanto o combate acontece de forma intensa na tela, a música acompanha esse ritmo e reforça a identidade do jogo. É uma combinação que funciona o tempo todo.

A dublagem também ajuda a elevar a experiência. Troy Baker como Jack Pepper entrega uma performance marcante, acompanhado por um elenco sólido que reforça a personalidade do universo. Mesmo sem localização em português, o trabalho de voz consegue segurar bem o envolvimento.

Mas nem tudo funciona com o mesmo nível de cuidado.

O sistema de coletáveis, por exemplo, é um dos maiores problemas da experiência. Em vários momentos, o jogo simplesmente não permite voltar para áreas anteriores dentro da mesma fase. Ou seja, se você avançar sem perceber que deixou algo para trás, perdeu. E como não existe um pós-game livre para revisitar os níveis com liberdade, isso acaba se tornando frustrante — principalmente para quem gosta de explorar tudo ou buscar 100%. Não é só uma questão de dificuldade, mas de estrutura mesmo. Falta uma forma mais amigável de lidar com isso.

Outro ponto que me chamou atenção foi a dificuldade. Mesmo com toda a ação na tela, o jogo raramente pressiona de verdade. Existe intensidade, existe movimento, mas falta um certo equilíbrio no desafio. Em vários momentos, a sensação é de que o jogo poderia exigir mais do jogador, especialmente considerando o estilo frenético que ele propõe. Os chefes até tentam trazer esse peso, cada um com padrões próprios e mais personalidade, mas no geral ainda fica a impressão de que havia espaço para um ajuste melhor nesse ritmo.

Também senti que o começo do jogo é um pouco mais lento do que deveria. Nada que quebre a experiência, mas existe uma leve demora até que tudo realmente engrene — especialmente quando comparado ao nível de intensidade que o jogo alcança depois.

VEREDITO

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© Fumi Games / Divulgação

No fim, Mouse P.I For Hire é um jogo que conquista fácil pelo estilo, mas se mantém pela jogabilidade. Ele pode não reinventar o gênero, mas entrega exatamente o que promete: ação direta, divertida e com uma identidade muito forte.

A combinação de arte desenhada à mão, combate fluido e trilha sonora marcante cria uma experiência única. É um jogo que não se leva tão a sério, mas que acerta justamente por isso.

Se você procura algo diferente, estiloso e gostoso de jogar, aqui tem um prato cheio. Um daqueles jogos que podem não mudar o gênero — mas deixam sua marca.

8.5
Excelente
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Um daqueles jogos que podem não mudar o gênero — mas deixam sua marca.
Wesley Aguiar
 Review | Mouse P.I For Hire (PC)

Mouse P.I. For Hire (2026)

Lançamento 16 de abril de 2026 Desenvolvedora Fumi Games Gêneros FPS, Ação, Noir Plataformas PC (Steam), PlayStation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2 Testado em PC

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Sou o CEO e editor-chefe da Taverna GM e faço parte da administração do portal. Cuido da parte administrativa, da gestão de conteúdo e da comunicação, além de produzir reviews, notícias e textos de opinião sobre filmes, séries, jogos, música e o universo do entretenimento em geral.

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