CRÍTICA: BRANCA DE NEVE
Ao encarar a nova adaptação do clássico, é impossível não notar que o filme, dirigido por Marc Webb (500 Dias com Ela) e escrito por Erin Cressida Wilson (A Garota no Trem), entrega essencialmente o básico. A narrativa, já conhecida pelo público, mantém-se fiel ao original, sem grandes arriscadas inovações. Há uma tentativa de equilibrar o apelo comercial – ao agradar a diversos públicos – com a fidelidade à obra que, por vezes, resulta em um produto que, embora funcional, carece de momentos verdadeiramente emocionantes.

O roteiro, com sua concisão e economia de recursos narrativos, proporciona uma agilidade interessante à trama. A proposta de Wilson de manter a história despojada, sem excessos, garante um ritmo que se destaca, mesmo que a ausência de certos elementos musicais não comprometa a experiência. Vale destacar, no entanto, que a voz encantadora da protagonista, interpretada por Rachel Zegler, confere à personagem uma doçura que remete à pureza da icônica Branca de Neve.
No quesito visual, a fotografia segue o padrão esperado de um live-action da Disney. Embora o espectador possa esperar ser imerso num reino de encantos e nuances mágicas, o resultado acaba sendo contido, com poucas surpresas estéticas que poderiam ter elevado a atmosfera do filme. Essa limitação visual é sentida principalmente em cenas que, por si só, carecem de uma paleta mais rica e ousada.

O elenco, que conta também com atuações marcantes de Gal Gadot – no papel de uma vilã ou personagem secundária de beleza estonteante – e de Andrew Burnap em papel recorrente, cumpre suas funções com competência. As interpretações, inclusive nos momentos musicais, são sólidas, e as coreografias, embora divertidas, parecem subutilizadas. A sensação é de que o diretor poderia ter investido mais em cenas coreografadas para explorar melhor a energia desses momentos.
Em termos de caracterização e figurino, a Rainha Má se destaca por sua elegância e glamour. No entanto, os demais personagens não apresentam o mesmo cuidado estético, com figurinos que, em certos momentos, parecem improvisados em comparação com a grandiosidade que a produção poderia alcançar.

Por fim, o filme gera muitas expectativas justamente por sua proposta de modernizar um conto atemporal e por escalar uma atriz latina em um papel tão emblemático. Todavia, a obra peca por não ir além do esperado – uma crítica que se estende, inclusive, à falta de representatividade em outros aspectos, como a ausência de personagens com características diversas, como atores com nanismo. Essa tentativa de “lacrar” em alguns momentos soa desconexa, reforçando que, embora o nome e as ideias debatidas ganhem força, a própria obra se mantém aquém do potencial.
Em resumo, apesar de ser um filme divertido e adequado para um público familiar, a produção deixa a desejar em aspectos que poderiam tê-la elevado a uma experiência memorável. O resultado é um entretenimento seguro, mas que, por vezes, se mostra menos ousado e inovador do que o esperado.
NOTA FINAL
3,5/5
★ ★ ★★
Autor: Roberta Ferreira
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