A Origem do Doutor Manhattan

A Origem do Doutor Manhattan

A figura imponente e azul do Doutor Manhattan é central no universo de Watchmen, uma série de quadrinhos criada em 1986 por Alan Moore e Dave Gibbons. Originalmente concebido a partir da ideia de usar personagens recém-adquiridos da Charlton Comics, a editora mudou os planos, levando Moore a criar seus próprios personagens, inspirando sua mais poderosa criação no Capitão Átomo. Manhattan destaca-se em um mundo onde vigilantes mascarados são realidade, não apenas por possuir superpoderes, mas por ser um dos super-seres mais poderosos de todo o universo da DC

A Trajetória de Jonathan Osterman: Da Relojoaria à Ciência Atômica 

A história de Doutor Manhattan começa com Jonathan Osterman, nascido na Alemanha em 1929. Aos nove anos, John recebeu de presente um relógio ornamentado, e sua paixão por relógios era natural, visto que seu pai era um relojoeiro. Desde cedo, ele desenvolveu interesse pela profissão, compreendendo que peças quebradas poderiam ser unidas novamente, e que cada parte, por menor que fosse, fazia parte de um todo, revelando sua compreensão da importância do tempo. 

No entanto, a vida de John mudou drasticamente em 1939, quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu e sua mãe, sendo judia, tornou a fuga da Alemanha uma necessidade. Durante a tentativa de escape, soldados nazistas os interceptaram, e a mãe de John se sacrificou para desviar a atenção do filho. Esse ato heroico salvou John e seu pai, que então se refugiaram nos Estados Unidos, naturalizando-se como norte-americanos. Em 1945, ainda durante a guerra, aos 16 anos, John testemunhou os Estados Unidos detonarem duas bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki, um evento inimaginável que selaria o fim da era dos relojoeiros, pois “as bombas eram o futuro”. 

image-1-1024x536 A Origem do Doutor Manhattan

Com essa nova realidade, o pai de John o impôs a estudar ciência atômica, convencido de que era isso que o mundo precisava, e não de relógios de bolso, questionando a utilidade de um relojoeiro se “o tempo é relativo”. Assim, em 1948, John ingressou na Universidade de Princeton e, em 1958, concluiu seu doutorado em física nuclear. Aos 30 anos, ele se tornou um gênio, passando a trabalhar em Gila Flats, um laboratório de pesquisa focado em experimentos com o campo intrínseco, buscando um campo que mantivesse as coisas unidas além da gravidade. 

Foi em Gila Flats que John conheceu Janie Slater em um restaurante chamado Bestiário, e os dois logo iniciaram um relacionamento. Em 1959, durante um passeio em um parque de diversões, o relógio de Janie caiu e foi pisoteado, quebrado. John, confiante em suas habilidades, afirmou que poderia consertá-lo. 

O Acidente e a Ascensão de um Deus 

Em agosto de 1959, durante um almoço, John percebeu que havia esquecido o relógio de Janie em seu jaleco, dentro da câmara de campo intrínseco. Ao correr para buscá-lo, o sistema de segurança da câmara foi acionado, e a trava automática, projetada para conter radiação, se fechou. Seus colegas de laboratório, impotentes, assistiram enquanto John, sem conseguir cancelar o processo, era desmantelado pela separação do campo intrínseco. Uma luz azul iniciou a desintegração completa de suas moléculas. O Doutor Jonathan Osterman, o homem, morreu ali, seu corpo totalmente destruído, e um funeral foi realizado com um caixão vazio.

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Entretanto, três meses depois, algo extraordinário começou a acontecer. Assim como as engrenagens de um relógio são reunidas, as moléculas do que foi John Osterman começaram a se juntar. Primeiramente, um sistema circulatório se refez, seguido pelo esqueleto e músculos, até que um corpo totalmente reconstruído surgiu, uma figura divina, um ser renascido. John ressurgiu completamente diferente, com uma nova percepção da vida: passado, presente e futuro se tornaram uma coisa só. Sua reconstrução trouxe habilidades especiais inimagináveis. 

Poderes Divinos e a Perda da Humanidade 

O recém-formado Doutor Manhattan podia sentir e manipular todos os átomos, compreendendo como as possibilidades e probabilidades se transformam em realidades pela percepção, para ele, não existem acidentes. Ele se tornou praticamente onipotente, com controle sobre tudo, mas paradoxalmente, sem um “porquê” para controlar. A vida humana, para ele, era apenas mais uma no vasto universo. Ele foi gradualmente perdendo sua humanidade, transformando-se em um ser quase divino. 

Além disso, ele era onipresente, capaz de se dividir e criar outras versões de si mesmo com as mesmas capacidades. Em certo grau, ele também era onisciente, podendo ver seu passado e presente e conhecer seu futuro, mas apenas o futuro em que estava diretamente envolvido. 

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Manhattan continuou ao lado de Janie, mas sua crescente falta de empatia pela humanidade os afastou. Rapidamente, o governo norte-americano o utilizou como arma. Em 1960, ele recebeu um uniforme com o símbolo de um átomo. No entanto, para ele, um átomo de hidrogênio seria mais apropriado, por ser o primeiro elemento da tabela periódica, o “início, meio e fim de tudo”. Assim, ele marcou sua própria testa com esse símbolo. O governo o batizou de Doutor Manhattan em referência ao Projeto Manhattan, onde as primeiras bombas atômicas foram desenvolvidas, buscando impactar seus inimigos com o nome. 

O Doutor Manhattan foi apresentado ao público como um ser capaz de desmantelar armas e destruir tanques com a mente. Sua existência alterou drasticamente o curso da história: ele podia sintetizar grandes quantidades de lítio, impactando a economia mundial e o desenvolvimento de veículos elétricos. Ele conheceu outros vigilantes mascarados como o Comediante e Ozymandias, e até mesmo o Presidente Kennedy, sobre cujo assassinato ele sabia, mas optou por não intervir. 

Em 1966, ele se juntou aos Combatentes do Crime, uma nova equipe de mascarados reunida pelo Capitão Metrópole, que incluía o Comediante, Ozymandias, o segundo Coruja e a segunda Espectral. A Espectral, então com 16 anos, atraiu a atenção de Manhattan, e eles iniciaram um relacionamento, levando Janie Slater a deixá-lo. 

image-4-1024x576 A Origem do Doutor Manhattan

Em 1971, o Doutor Manhattan recebeu uma missão crucial do recém-eleito Presidente Nixon: acabar com a Guerra do Vietnã. Ao lado do Comediante, ele destruiu os vietcongues, garantindo a supremacia norte-americana. Essa vitória mudou o rumo da economia e da política dos EUA, pois a 22ª emenda foi revogada, permitindo reeleições ilimitadas e mantendo Richard Nixon no poder por quatro mandatos consecutivos. 

Em 1977, a lei Keene foi implementada, proibindo vigilantes mascarados. Contudo, o Comediante e o Doutor Manhattan, por responderem diretamente ao governo, foram os únicos permitidos, sendo a mera existência de Manhattan a garantia da supremacia dos Estados Unidos contra a União Soviética, evitando uma guerra nuclear. 

Habilidades e Fragilidades de um Quase Deus 

O Doutor Manhattan possui um leque de poderes praticamente ilimitados: ele pode desfazer e refazer qualquer coisa, orgânica ou inorgânica, incluindo seu próprio corpo. Ele não precisa comer, dormir ou descansar, é invulnerável e intangível, pode aumentar ou diminuir seu tamanho, e se multiplicar em seres iguais. Além de se teletransportar, ele pode realizar um deslocamento universal, voar, ter supervelocidade, não envelhece e possui conhecimento cósmico. Ele é, em essência, quase um deus. 

Apesar de seus vastos poderes, ele parece ter duas fraquezas. Uma delas são as partículas taquiônicas, que, com aceleração acima da velocidade da luz, podem nublar sua visão do futuro. A outra, e talvez a mais profunda, é sua própria humanidade. Para Manhattan, a vida é apenas mais um evento no cosmos.

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A Desconexão e o Tédio Cósmico 

Com o tempo, Manhattan foi percebendo a linha do tempo como uma série de eventos, escolhas, probabilidades e possibilidades. Ele se vê como uma “marionete”, mas com a diferença de que consegue “ver as cordas”. Essa percepção o levou a uma crescente perda de sua humanidade, simbolizada pela remoção gradual de seu uniforme, até ficar completamente nu. Essa nudez pode ser vista como uma representação visual da sua desconexão com as imposições e convenções humanas, já que ele transcende a figura de um simples homem. 

Seu tédio com o planeta pode levá-lo a não se importar com ameaças à humanidade, mas se for convencido, ele pode novamente se interessar pela vida. Ele mesmo chega a expressar a possibilidade de um dia “criar alguma coisa”. 

O Doutor Manhattan não é um super-herói; ele é um super-ser que transcende a humanidade. No momento em que o Doutor Manhattan surgiu, o homem Jonathan Osterman morreu. Ele se tornou não apenas o ser mais poderoso de Watchmen, mas também um dos personagens mais poderosos e atualmente importantes de todo o universo da DC. 

Fonte: Nerd All Stars

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